Nos caminhos da bola: Diegão Novicki

Conheça um pouco da história de Diego Novicki; no esporte e na vida

Títulos no estadual e nacional nas categorias de base, futsal italiano, cadeira de rodas, dificuldades, importância da mãe Ana Beatriz (Bea), depressão, BBB, convite para novela, auto-boicote e muitas confidências nesta reportagem especial, de um fraiburguense de nascimento e de coração.

Humildade, carisma, educação, fazem seu jeito de ser, virtudes que externam e enaltecem seu caráter, um garoto boa praça, com uma linda história de superação.

Nascido em Fraiburgo, em 06 de julho de 1987, Diego Rafael Novicki, o Diegão como é conhecido, iniciou no futsal aos 6 anos de idade na Escolinha Geração Saúde (categoria Fraldinha), com o professor David Severo Filho, o lendário Sapuca.

Na fila do meio, o segundo

Aluno da Escola Estadual Gonçalves Dias, em sua primeira competição participou do JESF (Jogos Escolares de Fraiburgo). Na época os alunos podiam jogar várias modalidades e em várias categorias, competição que lotava o então caldeirão Ginásio Padre Biaggio Simonetti.

Primeira equipe de Diegão: o segundo em pé, da direita para a esquerda.

Após algumas competições disputadas chamou a atenção de uma escola particular disposta a investir no esporte, e ainda na 3ª série ganhou uma bolsa de estudos no Colégio Cefrai (foi um dos primeiros bolsistas de Fraiburgo. Detalhe: antigamente era muito mais difícil), onde estudou e disputou inúmeras competições por aproximadamente quatro anos.

VIAGEM A BALNEÁRIO CAMBORIÚ

Nós fomos para Balneário Camboriú, no zoológico da Santur. Na primeira parada do ônibus, pessoal parou e foi comer (Salgadinho e refrigerante) e tudo mais. Eu, fiquei dentro do ônibus e comi torresmo e frango a passarinho, que minha mãe carinhosamente fez. Os ossos da carne, joguei dentro dos cinzeiros do ônibus para esconder. Mas não deu outra, quando meus colegas retornaram da parada para a refeição muitos falaram: “Meu Deus, quem comeu está carne dentro do ônibus, que está catingando? Eu entrei na brincadeira: “Quem que foi, quem que foi?” (risos). O esporte me proporcionou o convívio com um outro meio social, que na época, eu não tinha condições de viver. Acabei passando bastante vergonha, a verdade é esta.

Nessa época treinado pelo competente (in memorian) professor Alvino, já dividia seus treinos entre Fraiburgo e Salto Veloso, nas categorias de base da fortíssima equipe, que tinha atletas como Joel, Edinho Leobet, Dimas e David Canônica, todos referências na modalidade a nível estadual e até mesmo mundial.

Os resultados chamaram atenção do Colégio Drummond, e ainda na categoria infantil juntamente de seus fiéis escudeiros, os gêmeos Mauricio e Rafael Ribeiro que eram destaques na modalidade, foram para a nova escola com o projeto de disputar o Campeonato Estadual.

Mudei de escola na época, por não precisar pagar a apostila. Na escola anterior, ganhava tudo, menos a apostila. Quando surgiu esta oportunidade e pelas dificuldades que passava, logo aceitei.

Nos início dos anos 2000, o Colégio Drummond de Fraiburgo, sob o comando do professor Sapuca disputou o Estadual de Futsal, na categoria infantil, na época Sub 14. Diegão, com a camisa 10.

Já no primeiro ano de participação foram finalistas da competição, ficando entre as quatro melhores equipes do estado de Santa Catarina. Diegão foi o artilheiro da equipe com 14 gols, e ainda acabou sendo convocado para a Seleção Catarinense.

Fui expulso de jogo, poucas vezes na vida. Tomei poucos cartões, ao longo da minha carreira. E em uma das decisões do Estadual, acabei logo cedo sendo expulso. Naquele dia o lendário treinador Cigano, campeão estadual com a AABB de Chapecó, em 2001, veio me assistir para me levar a seleção catarinense, e eu acabei sendo expulso, com poucos minutos de partida. Foi uma frustração total, mas felizmente ele acabou me convocando, da mesma forma.

Selecionado entre os dez melhores atletas do estado nesse ano, fez sua primeira longa viagem, e disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções em Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, lá sagrou-se vice Campeão Brasileiro de Seleções.

CRIAÇÃO MATERNA E A MARCANTE CONVERSA COM O PAI

Fui criado apenas por minha mãe. Na identidade, não tenho o nome do meu pai. Hoje, ele mora em Jaraguá do Sul. Graças a Deus, puder perdoá-lo e conhecer ele. Fui literalmente abandonado, ele não nos ajudou em nada. Minha mãe, viveu a vida dela, só pra mim, a ela meu eterno agradecimento. Um episódio que me marcou, foi quando estava em Joaçaba, na época com aproximadamente 15 anos de idade, consegui o contato da empresa que meu pai trabalhava (a WEG) e liguei pra ele e falei: “Luiz, aqui é teu filho, Filho da Bea de Fraiburgo, tudo bem?”. Ele só me respondeu: “Se você está me ligando para pedir dinheiro, não me liga mais, que eu não tenho nada para te dar”. Na época não senti nada, mas agora analiso, o reflexo no inconsciente, que isso pode ter gerado, virou uma chave, um gatilho. Não estou aqui para culpar meu pai, jamais, mas isso teve influência sim.

Voltei a ter contato com meu pai, a uns 3 anos atrás, apenas. Inclusive hoje, tenho uma relação legal com ele. Fomos até passear juntos.

Diegão e sua mãe Bea (Ana Beatriz)

No ano seguinte foi morar em Chapecó, onde dividia seus estudos e treinamentos nas categorias de base da Tozzo/AABB/Chapecó. A equipe adulta na época era uma das potências, e duelava nas maiores competições com a extinta equipe da Anjo Futsal, de Criciúma.

Em Chapecó, mais uma vez finalista do Campeonato Catarinense, que os credenciou a disputar o Brasileiro de Clubes, onde posteriormente veio a se sagrar campeão Brasileiro Sub 16 vencendo na final a equipe do Palmeiras: Diego fez um dos gols do jogo. O gol do título foi marcado pelo videirense Fuska. Por lá também foi campeão regional da OLESC.

No ano seguinte uma nova história, na cidade de Joaçaba, nas categorias de base do Bonato Futsal, com o sonho de ganhar faculdade (estudo).

Por lá, foram quase cinco anos de moradia entre idas e vindas: campeão Microrregional e Regional da OLESC, campeão Microrregional e Regional dos Joguinhos Abertos, e vice campeão Estadual do Joguinhos Abertos (onde foi o artilheiro da competição, seguido da então promessa do futsal “Willian” da Malwee).

Após essas passagens pelo futsal catarinense, Diegão foi alçar vôos ainda mais altos, e viajou para a Itália. Sua primeira equipe foi o Reggina, na cidade de Reggio Emilia, lá passou o grande ícone do futebol brasileiro, o goleiro Taffarel, que inclusive atuava na referida equipe, quando foi convocado para a Copa do Mundo de 1994.

PERDIDOS NA ITÁLIA E ENXOTADO DO BUSÃO

Dudu Costa, Diego Verona e eu, fomos para a Itália. Imagine só, perdidos para tudo, até para tomar um café. Nos primeiros treinos, o pessoal do clube, explicou sobre o funcionamento dos ônibus. Como não sabíamos falar a língua, tudo ficava mais difícil. Erramos já no primeiro ônibus, e nos perdemos. O ônibus ficou vazio, só nos dentro e o motorista. Lembro que fomos até um lugar muito longe. O motorista nos xingou e atropelou-nos do ônibus. Lembro que o Dudu nos contou a seguinte história: “Fiquem tranquilos, minha mãe falou que as vezes Deus, coloca anjos na vida da gente, anjos em forma de pessoas”. E uma pessoa apareceu do nada, e nos guiou até o lugar certo para o treino. De fato, uma benção.

FUTEBOL DE CAMPO: CRICIÚMA E AUTO-EXCLUSÃO

Tive uma proposta para ir no Criciúma, com 23 anos. O professor Aquino através do seu grande amigo Angeloni (dono da rede de supermercados). Eu, na época já estava trabalhando em Fraiburgo, pedi uma folga para ir pra lá. Lembro que fiquei meio sozinho no Heriberto Hulse (um quarto com ar condicionado, tv por assinatura e tudo mais), mas distante dos outros meninos, achei estranho; os outros meninos lá do outro lado do Estádio e eu pensei que estava sendo “excluído”. Terminado o teste, voltei para o meu trabalho, em Fraiburgo. Fui falar para alguns meninos e lembro como fosse hoje, o LUCCA, uma grande promessa do Criciúma, que chegou ao Corinthians mais tarde, me falou: “Fica com nós aqui zagueirão, fica aqui, você é diferente, nós precisamos de você”. Mas eu acabei voltando. Hoje posso dizer, o que faz uma ‘cabeça fraca’, eu estava quase lá, mas na hora de dar o passo adiante, eu voltei. Depois que eu voltei de lá, fiquei sabendo que o Angeloni, que me levou para lá, era o dono do time. E porque eu estava sozinho? Porque ali era o alojamento que o profissional utilizava, e eu não sabia.

Hoje, estudando e indo a fundo em pesquisas, entendo, que como uma mente que se coloca como inferior, se sentindo excluído, tem um poder negativo. Confesso, que me faltou sonhar mais alto. É difícil falar, mas quem saiba neste momento, me faltou a presença do pai. Porque tem aquele ditado, que a mãe cria o filho pra ela, e o pai pro mundo. Ou seja, minha mãe queria que eu retornasse, faltou meu pai, insistir para ficar. Pra fechar esta história, eu voltei com um valor de 700 reais, Lucca dali uns dois três anos, saiu ganhando uns 350 mil.

A CADEIRA DE RODAS

Por aproximadamente um ano, Diego Novicki travou uma dura batalha: ficou entre cadeira de rodas e muletas, quando tinha aproximadamente 20 anos de idade.

Primeira vez que eu estou compartilhando isso a público. Eu fazia um tratamento na época, pois tinha muita dor nas costas e joelho, a chamada fase do estirão (crescimento). Iniciei o tratamento para dor nas costas principalmente; um médico me receitou um coquetel de 7 dias. Tomei a primeira dose e fiquei meio ruim já dentro da farmácia, meio tonto, perna pesada, estes sintomas. No outro dia fui tomar a segunda dose, já sai da farmácia duro, praticamente carregado. Ligamos pro médico, comecei a vomitar e não parava mais. O médico observou que tinha alguma coisa errada e me internou. No outro dia já acordei sem conseguir se mexer. Aí, juntamente com a minha família se batemos a procura de tratamento. A princípio era uma medicação errada, só que neste processo todo, fui entrando em parafuso, afinal eu era atleta e vivia disso, do meu corpo, no caso, e do nada estar numa cadeira de rodas.

Fiquei uns dois dias que não mexia nada do corpo, só sentia um lado do rosto. Um bom tempo, tive sensibilidade em apenas um lado, falava, mas não conseguia levantar um braço, por exemplo. Acabei entrando em depressão, foi um tempo muito difícil da minha vida, saindo da adolescência, mas graças a Deus superei isso tudo. Te confesso, que talvez tenha sido uma “carreira no futsal” jogada fora, mas…vida que segue. Depois disso foi chegado a uma conclusão, que foi uma reação de uma medicação, e outra parte da própria mente.

Sua segunda passagem na Itália, foi em Imola, cidade do famoso autódromo, onde morreu o ídolo brasileiro Ayrton Senna, lá atuou junto com David Canonica e Cavali, outros atletas conhecidos da região.

Morava muito perto, da onde acontecia o GP de Imola. Na época que estive lá, não estava tendo mais o “Grande Prêmio”, em virtude do falecimento do Senna. Falar a verdade, quase fui preso lá, se eu contar que andei de bicicleta lá no autódromo, vocês não vão acreditar né? Estava aberto o portão, e eu entrei (risos). Se eu fosse pego, iria ser deportado.

 

Em ação pelo Fraiburgo Esporte Clube, pela Copa Arroio Trinta de Futebol.

Após retornar ao Brasil, Diegão deu sequência nos estudos onde formou-se em Educação Física, pela Unoesc. Por dez anos esteve frente ao esporte fraiburguense, colecionando títulos e repassando ensinamentos para a nova geração, seja diretamente nas equipes de futsal da cidade, ou em projetos sociais, o qual ele dedica seu tempo.

MISTER SANTA CATARINA 2012 E ‘AUTO BOICOTE’

Depois de todas estas oportunidades desperdiçadas e destas lições de vida desde a infância, surge a oportunidade de ser candidato a Mister.

A menina que aparece na foto (Emanuel Pamplona) atualmente é Bailarina do Faustão.

Estava na Meia Praia, e recebi o contato de um agente. Me inscrevi e fui encarar este novo desafio. Ganhei o concurso, a vida mudou, estava em jornal, rede social e tudo mais. No Brasileiro fiquei em segundo lugar: o primeiro ganhava 100 mil reais.

Mais uma vez, com mente fraca. Eu chegava até um ponto, e quando era para estourar, eu voltava buscar alguma coisa, algo mal resolvido. O mundo está lá fora, mas eu queria trabalhar em Fraiburgo e me “auto-boicotava, autossabotagem”. Confesso, eu mentia pra mim mesmo. Tive oportunidade de ir para a China e também não fui.

BIG BROTHER BRASIL E CONVITE PARA SELETIVA NOVELA

Pouca gente sabe esta: Fui chamado para uma seletiva do BBB, em 2014, lá no Rio de Janeiro: fui selecionado, fui para o hotel onde fica os 20 selecionados e tudo mais. Recebi este comunicado por email e foi me passado o passo a passo até chegar lá, fiquei 3 dias lá, e fui eliminado. Na época entravam 14 participantes para o Big Brother, sempre fica uns na “reserva”, caso aconteça algum problema. Foi até engraçado, comecei a comer, e precisava fazer um desfile de sunga, e eu fui com barrigona estufada. Meio que inconsciente, me autossabotei novamente.

Neste mesmo ano, recebi convite para participar da seletiva para novela Boogie Oogie. Três pessoas receberam este convite, e eu não fui. O personagem era para ser um surfista, na novela.

Resenha: BIKE E FORMIGUEIRO NO FUTEBOL AMADOR

As oportunidades que recebi no futebol de campo, foram com o Donizete, um grande amigo. Em um sábado a tarde, tínhamos semifinal da competição lá da região de Joaçaba, a Copa Radio Catarinense, o Donizete estava em Caçador na faculdade e combinamos de se encontrar em Videira. Eu não tinha carro, mas falei que dava jeito de arrumar uma carona. E chegou a hora e nada, acho que nem pedi para ninguém de vergonha. Resumo: fui de bicicleta até no Posto Rio das Pedras, em Videira e depois tive que jogar a partida decisiva. Donizete, queria me matar (risos).

Chegando lá, mais um episódio marcante, a torcida invadindo o campo praticamente, pressionando a arbitragem. A galera jogava formigueiro no goleiro, tamanha a pressão. Enquanto eles não empataram aquele jogo, a partida não acabou. Na época Donizete e eu, defendíamos o Flor da Serra de Herval D’ Oeste.

CURIOSIDADES

  • Em Fraiburgo, foi campeão municipal de campo com: Aço Metais, Transcoelho, Miranda, Movest, Trinca Vidros/ São Cristóvão;
  • Esteve no elenco da Linha Baldissera, campeão da 3ª Copa Regional dos Campeões, em 2013;
  • Em 2012 foi eleito Mister Santa Catarina, na cidade de Navegantes e no ano seguinte Vice Mister do Brasil, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro;
  • Em 2010 (com idade liberada naquela ano do JASC), esteve no elenco de Fraiburgo que ficou com o vice do Regional do Futebol de campo que garantiu vaga para o estadual, onde puderam atuar com “veteranos” da bola, como por exemplo, Sandro Ventura, que brilhou nos tempos do CAF, em 1999. Um grande feito para o futebol fraiburguense;
  • Curte uma boa música, toca violão, cavaco, gaita de boca e outros tantos instrumentos;
Com a delegação do futebol de Fraiburgo, em 2010, no JASC.

Capitão da Caçadorense no Estadual Sub 23.
Professor e apoiador de projetos sociais
Na Copa Regional dos Campeões, Diego foi alguma vezes eleito o CARA DO JOGO
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