Perdigão de Videira – Campeão Catarinense de 1966

No dia 16 de abril de 1967 Videira celebrava um grande feito esportivo

No dia 16 de abril de 1967, a Sociedade Esportiva Perdigão jogava a última partida do Quadrangular Final do Campeonato Catarinense de Futebol de 1966, em Joaçaba. Mesmo com a derrota naquele dia a equipe sagrou-se Campeã Estadual de Futebol, feito inédito para um time do Oeste do Estado, naquela época.

Informações extraídas do Blog Boteco do Pardal
Como surgiu a Sociedade Esportiva Perdigão?

Na história do futebol/futsal brasileiro foi bastante comum, um clube ser fundado por funcionários e/ou administradores de alguma empresa e a agremiação acabar levando o nome da mesma. Em Santa Catarina, durante a fase dos grandes frigoríficos, também aconteceu este fenômeno e uma dessas equipes acabou tendo sucesso: a Perdigão – anos mais tarde, teve também conquistas importantes no futebol de salão.

No dia 31 de março de 1964, em uma sala de reuniões da Perdigão reuniu-se um grupo de apaixonados pelo futebol encabeçados por Flávio e Fioro Brandalise para deliberarem sobre a fundação de uma nova equipe. Surgia a Sociedade Esportiva Perdigão, que duraria apenas 5 temporadas, mas que gravaria seu nome na história do futebol catarinense, e é claro deixaria imensa saudade no torcedor videirense e região.

Primeira Diretoria

A primeira diretoria, de caráter provisório foi formada por Flávio Brandalise (Presidente), Sílvio dos Passos (Secretário) e Fioro Brandalise (Tesoureiro).

No dia 31 de agosto de 1964 aconteceu a primeira Assembléia Geral quando foram aprovados os estatutos e a primeira diretoria composta: Moacir Brandalise (Presidente), Silvio dos Passos (Vice-presidente), Varteli Trancoso (Tesoureiro), Sérgio Vargas (Secretário), Plauto Grazziotin (Diretor de Esportes) e Fioro Brandalise (Diretor Social).

Primeira Competição e já o primeiro título

A primeira competição da equipe foi o Campeonato Municipal de Videira de 1965, conquistado de maneira invicta, diante de tradicionais equipes do município, como Alvorada, Floresta e a Associação Atlética Videirense, que há muitos anos vencia o citadino.

Estadual

O título credenciou a equipe a disputar o estadual, integrando a Zona Oeste. Ao final da disputa a equipe terminaria a competição em quinto lugar, excelente para uma primeira temporada.

A boa colocação na competição de estreia motivou o grupo e a diretoria. Em 1966, com um pouco mais de experiência, nova conquista no municipal e mais uma vez vaga no estadual. No Grupo B (Oeste), além, da Perdigão estavam: Comercial (Joaçaba), Sadia (Concórdia), Guarani (Xaxim), Vasco da Gama (Caçador), Guaycurus (Concórdia), Cruzeiro (Joaçaba) e Atlético (Chapecó).

A Perdigão terminou em primeiro, com o Comercial em segundo, garantindo os dois times para o quadrangular final diante de Almirante Barroso (Itajaí) e o Metropol (Criciúma).

Campanha do Título

Equipe venceu todos os jogos que disputou em casa, sofrendo apenas 3 gols

A primeira fase do Estadual foi disputado no ano de 1966, mas o quadrangular final iniciou apenas em 12 de março de 1967, quando a Perdigão recebeu o Almirante Barroso e fez 3 a 0. No dia 19, o jogo que foi considerado chave por todos os jogadores do elenco. A Perdigão foi até Criciúma enfrentar o Metropol e saiu de lá com um heroico empate, sem gols. No dia 26, novo jogo, desta vez, no Estádio Luiz Leoni e mais uma vitória por 3 a 0, desta vez diante do Comercial.

Quadrangular Final

Na abertura do returno do quadrangular final, a Perdigão foi ate Itajaí, mas voltou de lá, com uma derrota por 2 a 0, recolocando o Barroso na disputa do título. No dia 09 de abril, Videira parou para assistir o confronto diante do Metropol. Funcionário da Perdigão foram dispensados para acompanhar a partida. Cerca de 12 mil pessoas foram ao Estádio Municipal Luiz Leoni ver a vitória por 2 a 0.

A tensão da última rodada

Na última rodada, a Perdigão jogava no Estádio Oscar Rodrigues da Nova, em Joaçaba, diante do Comercial, enquanto que em Criciúma, se enfrentavam Metropol e Almirante Barroso. O scratch videirense liderava o quadrangular e dependia apenas de si para levantar o caneco.

O jogo começou movimentado e logo com 11 minutos do primeiro tempo, Barra Velha abriu o marcador para os joaçabenses, mas Zinho, artilheiro videirense no estadual daquele ano, deixou tudo igual aos 43 minutos da primeira etapa. No segundo tempo, muito equilíbrio e jogo duro até que Barra Velha, cobrando pênalti, fez o segundo do Comercial, aos 24 minutos. A apreensão tomou conta do elenco videirense, pois diferentemente dos dias atuais a comunicação não era tão ágil assim e não se sabia o resultado do outro confronto.

Lá em Criciúma, Gama fez 1 a 0 para o Metropol, aos 5 minutos de jogo, mas aos 6, Ubirajara deixou tudo igual. A pressão do Almirante Barroso seguiu durante todo o jogo, mas a defesa do Metropol parecia intransponível. Aos 40 minutos da etapa final, em um contra ataque, Idésio marcou o gol da vitória dos criciumenses e, consequentemente , o gol que garantiu o campeonato catarinense de 1966 para a Perdigão de Videira.

Elenco campeão recebendo as faixas referentes ao título de 66.

A conquista coroou o empenho da Perdigão e encheu de alegria todo o Oeste catarinense, com o primeiro título para a região. A inédita conquista videirense, veio apenas um ano após a fundação, ou seja, foi uma ascensão meteórica.

Competições, títulos e última partida oficial

A Perdigão disputou cinco estaduais (65 a 69) e uma Taça Brasil (67). A última partida oficial, antes de fechar o departamento profissional, ocorreu no dia 1º de junho em Joaçaba com uma bela vitória de 3 a 1 diante do Comercial, seu eterno rival.

Elenco

A baixa média de idade era de cerca de 22 anos, com isso o grupo era pouco experiente, mas compensava pelo brio e dedicação.

Segundo Richetti, o maestro da equipe, quando ele chegou no grupo Pelé era centroavante e tinha muita moral, por isso, para que não ficasse de fora foi pra defesa e se tornou um dos grandes zagueiros da época.

A Perdigão também deu uma ótima cartada ao trazer alguns garotos do Abrigo de Menores de Florianópolis (Galego, Torrado, Caubi e Geraldo). O time tinha um excelente goleiro, Zangão, e que por sorte nunca se machucava.

Elenco Campeão de 1966

Odenir Oseas Seemann (Zangão), Gilberto José Liberalli (Arrepio), Valter Kluser (Batoque), Antônio Carlos Gomes dos Santos (Pelé), Nilso Brandalise, Luiz Jacinto da Rosa (Galego), Waldomiro Marcinko (Adi), Osvaldo João, Caubi de Lima, Lauro Ribeiro (Cigano), Adair Dias Gonçalves (Zinho), Constante Rogério Richetti, Mario Rosário de Barros José (Barros), Rubens de Lima Machado (Carioca), Jaime Bramatti (Serramalte), Luiz Dirnei Wolker (Luizinho), Luiz Abitante (Melão), Eloacir Nascimento, José Campolino dos Passos (Torrado) e Darcy Flores (Massagista).

Concentração dos jogadores era próximo ao curtume. Próximo de onde é hoje a Casa Faísca. Foto de 1965.
O elenco já saía pronto da concentração para o Estádio Municipal Luiz Leoni.

O MAESTRO

PARCERIA: Richetti e Serramalte

Jaime Bramatti, o Serramalte e Constante Rogério Richetti possuem muitas histórias em comum e uma vida de amizade dentro e fora dos campos. Ambos nasceram em Getúlio Vargas, município localizado no noroeste gaúcho, e de lá trouxeram a amizade para terras catarinenses.

Matéria especial falando da parceria entre Richetti e Serramalte, parceiros dentro e fora de campo!

No vídeo a seguir Cigano e Galego, atletas da equipe contam detalhes da conquista. Confira!

  • A Perdigão, que conquistou o Campeonato Estadual de Futebol de 1966 em cima do Metropol de Criciúma, o grande bicho papão de títulos daquela década.

Parte do elenco sobre uma das pontes de Videira.

Adversários

Em 1965 no primeiro jogo fora do Oeste, a Perdigão viajou até Criciúma para enfrentar o Metropol (campeão estadual 5 vezes na década de 60) pelo turno do hexagonal final e tomou de 9 a 0, uma sonora goleada.

No segundo turno veio a vingança com a vitória por 2 a 1, combinada com a vitória do Inter de Lages no meio da semana, deram o título a equipe serrana e o caneco escapou do Metropol.

No ano seguinte outro grande duelo contra o Metropol foi no dia 09 de abril de 1967, na penúltima rodada do quadrangular final quando a Perdigão venceu por 2 a 0 com o Estádio Municipal Luiz Leoni, em Videira, super lotado e encaminhou o título. No Oeste, as grandes equipes eram de Chapecó, Concórdia e Joaçaba, mas o grande rival sempre foi o Comercial.

Estádio Municipal Luiz Leoni lotado no jogo contra o Metropol em abril de 67. Vitória por 2 a 0, jogo emblemático
Entrada em campo no jogo da entrega das faixas contra o Carlos Renaux.
Lembranças

Uma das grandes recordações era sobre as viagens do time por todo o Estado, sempre feita com duas Kombis da própria empresa e que eram dirigidas pelos jogadores.

Muita lama, nas estradas precárias da época e um frio intenso no inverno eram os maiores obstáculos. Várias vezes o grupo parava na estrada para tomar alguma coisa para se aquecer ou mesmo fazer fogo para diminuir um pouco o frio.

Outro fato marcante foi a invasão lageana em 66 no confronto com o Guarani no Estádio Luiz Leoni. A nossa torcida compareceu em peso, mas de Lages chegaram muitos ônibus para prestigiar o adversário.

As rudimentares rodovias, a maioria de terra, não foram obstáculo para a equipe de Videira. A delegação rubra viajava em duas Kombi.
A COMPETIÇÃO

O campeonato de 1966 foi disputado por 27 equipes e o vencedor foi definido por pontos corridos. Naquele ano, o recém criado time da Perdigão fez uma campanha surpreendente e desbancou os favoritos Comercial, Barroso e Metropol, se tornando o primeiro time do Oeste do Estado a conquistar o título máximo do futebol catarinense.

Richetti, recebendo um dos troféus da conquista de 66

Desde aquele ano, muitos jogadores que vieram de outras partes do país para jogar profissionalmente pela Perdigão, adotaram Videira como morada e chegaram a receber títulos de “Cidadãos Videirenses”. Dos atletas do título, Galego, Richetti, Cigano e a viúva do Zangão, Liliana Seeman, ainda residem na cidade, na qual ajudaram a consagrar no cenário esportivo.

Você Sabia?
… que Adair Dias Gonçalves, o Zinho com 18 gols foi o artilheiro de Videira no campeonato estadual de 1966? O artilheiro geral da competição foi Norberto Hoppe, do Caxias, com 33 gols marcados.
…que Odenir Seemann, o Zangão foi o goleiro menos vazado daquela competição? Ambos da equipe da SE Perdigão.
… que em uma partida do Estadual de 66, a Perdigão de Videira venceu o Atlético de Concórdia pelo placar de 6 a 0. Serramalte fez os seis gols. Cinco deles de cabeça e um com os pés. A informação foi repassada por Milson Oltramari.
… que Flávio Brandalise, presidente da equipe no ano da conquista tinha apenas 28 anos de idade, se tornando na época o mais jovem presidente a levar uma agremiação a conquista de um estadual.

CAMPEÃO

Com a conquista do estadual a Perdigão teve direito a disputar a Taça Brasil na fase Sul contra Grêmio e Ferroviário, mas não passou da primeira fase. Talvez tenha sido aí o começo do fim da Perdigão, que trouxe jogadores de fora para a disputa e deixou um pouco de lado seus verdadeiros heróis.

Colaboração e fontes: Clóvis e Risoni Fava, Euclides Locatelli, Carlos Fantin, Constante R. Richetti, Liliana Seemann, Adalberto Klüser, Antonio José Feiten, Telvo Menegazzo, Valter Klüser (Batoque), Adalberto Kluser, Lauro Ribeiro (Cigano) e Luiz Jacinto da Rosa (Galego), Site O Curioso do Futebol.

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