Personagens do Esporte: Sérgio Luiz Marafon

Foi vereador, secretário e superintendente da Fundação Municipal de Esportes

Durante os 59 anos que esteve habitando o plano terrestre, o saudoso Sérgio Luiz Marafon foi um grande incentivador e líder do esporte videirense. Casado com Terezinha (Kika) e pai de Fabiano e Patricia, deixou um grande legado.

A paixão pelo esporte veio de berço. Meus pais foram sempre minhas grandes inspirações no mundo esportivo. Meu pai, era faixa preta de judô e foi várias vezes campeão do JASC e outras competições importantes. Já minha mãe na modalidade do bolão, foi campeã brasileira e por equipe, além de inúmeros títulos do JASC, comentou Fabiano, ao La Pelota.

De pai pra filho: a paixão pelo esporte

Um dos primeiros contatos de Sérgio com o esporte, foi nos idos dos anos 60, quando juntamente com seu pai, vendia pipoca, na praça (em frente do cinema) e no Estádio Municipal Luiz Leoni, no jogos da Perdigão. Durante este período Marafon, foi também engraxate de sapatos.

Marafon era uns dois anos mais novo que eu. Ele nasceu em 1953, eu em 1951. Eu residia na Rua Brasil, Centro, bem na esquina para a subida do Bairro Marafon, onde ele morava, com sua família. Ainda criança, fizemos amizade. O Sérgio, juntamente com o Kuko foram o melhores amigos que eu tive em Videira. Marafon foi um dos principais, tanto ele, como a família dele. Em 1960, fui morar na Padre Anchieta, pra cima da Matriz, e lá comecei a estudar no Colégio Imaculada Conceição (CIC) juntamente com o Sérgio. Marafon, era bom jogador, ele tinha uma estrutura física forte, mas era bom de bola. Lembro que a gente metia a bola pra ele e podia ir que a bola viria de volta. Ele não era fominha… relembrou Adelmo Albiero, ao La Pelota.

APREVI (Funcionários do INSS) – Década de 80. Sérgio Marafon, o primeiro agachado, da esquerda para a direita.

Como atleta, se arriscou no futsal na década de 70 à 80. Devido a seu porte físico avantajado, atuava como pivô, uma espécie de parede, o chamado pivô de referência, nos dias atuais. Uma das características era o chute forte. Porém foi no judô, que vieram suas principais conquistas. Foi também dirigente e em parceria com seu amigo Romualdo Bagaço, teve qualificadas equipes de bocha.

BOCHA – Sérgio Luiz Marafon, o primeiro em pé da esquerda para a direita.

Nos tempos de escola, nos sempre jogávamos junto. Tinha muitos caras bons. Cito: Ivan Fantin, Carlinhos Fantin, Ivan Bragaglia, Luiz Carlos (jogou no Grêmio e América MG profissionalmente), e é claro, Sérgio e eu. Do tempo de colégio, não recordo de termos perdido. Fazíamos algumas partidas amistosas no domingo de manhã num campinho ao lado da Igreja Matriz. O Marafon era diferenciado. Depois disso, ele foi um monstro de um atleta no judô, disputou vários Jogos Abertos, sendo campeão em alguns deles, relatou Adelmo Albiero ao La Pelota.

HISTÓRIA ENGRAÇADA: Inauguração do Campo do D.E.R

Foi feito um torneio de inauguração do campo de futebol suíço do D.E.R, nas proximidades do presídio. O torneio em questão, terminou cedo, tipo umas 5 horas da tarde. E a resenha rolando. Marafon, desde manhã, pagando uma coisa pra um, outra coisa pra outro (cerveja, churrasco e afins). Queria ver ele feliz, era ele estar pagando algo para alguém (risos). No fim do dia, ele chamou o dono do estabelecimento e perguntou, o que tem dentro aí? O rapaz respondeu: Cerveja, doces, refrigerante, chicletes… Marafon então complementou: Faz um levantamento de tudo (quantidade e valores) e me traga. Assim que recebeu a lista enorme dos produtos, ele prontamente respondeu: Pode trazer tudo e deixar no meio de campo e a diversão continuou, até de fato zerar o estoque (risos). Esta foi muito engraçada, jamais vou esquecer, comentou Adelmo Albiero.

Na foto, na inauguração do campo de Sede Etelvina, interior de Videira.

Gostava de corrida/carreiras de cavalos (na época muitas delas eram disputadas em Iomerê), mas principalmente um apaixonado por apostas. Chegava a apostar com seus amigos, quantos grãos tinha em um pedaço de melancia, por exemplo. Foi amante dos jogos de mesa (truco, tranca, canastra e outros).

Judô (1974)

Recordo de uma luta emblemática do saudoso Sérgio Marafon, nos tempos dele de judô. Enfrentou o “Miudinho”, salvo engano, atleta de Blumenau, que devia pesar uns 200 kg aproximadamente, ele era enorme, uns 2 metros, muito forte. Numa disputa do peso pesado, antes da semifinal, Marafon machucou a clavícula. Mesmo com o ombro arrebentado, Sérgio foi enfrentar o “Miudinho”. Ele não ganhou é claro, mas foi ovacionado pelo pessoal que estava no ginásio, pela valentia. Ele só se entregava, quando não tinha mais jeito. Era um cara nota 10. Por uns 40 anos todo o domingo a noite ia na casa dele, relembra Adelmo Albiero.

FIGURA PÚBLICA: Político e dirigente esportivo

Sérgio Luiz Marafon foi vereador, ex-secretário, ex-superintendente da Fundação Municipal de Esportes. Foi também candidato a vice-prefeito na cidade de Videira. Durante os anos, que esteve a frente do esporte videirense ajudou a colocar a cidade em destaque, principalmente nos Jogos Abertos de Santa Catarina. De fato, foi um grande dirigente esportivo, na época buscava vários atletas de fora da cidade, com o intuito de qualificar o elenco, para conquista de medalhas.

Foi também presidente da Liga Municipal de Futsal, na época do futebol de salão da Perdigão (1984). Por sinal, possuía acesso facilitado ao presidente da Federação Catarinense da época. Como havia necessidade de a Perdigão participar das competições regionais, ele foi mesário (súmula) e cronometrista nos jogos inclusive a nível estadual, brasileiro e sul-americano. Tinha uma paixão especial, pelo futsal.

Enfim, o que era esporte, podia contar com ele.

FILHO DE PEIXES, PEIXINHO É

Não tem como citar, Fabiano e não falar de seu pai Sérgio, as histórias se cruzam. Sua mãe, Terezinha (Kika) foi seis vezes campeã brasileira e em 1989, recebeu a coroação de “Braço de Ouro”, como melhor atleta do Brasil, na modalidade. Fabiano, por sua vez, na adolescência foi campeão no judô, mas suas principais conquistas vieram anos mais tarde no handebol.

Fabiano, flamenguista de coração, atuou no Handebol do CR Vasco da Gama, em 2000. Possui inúmeros títulos do JASC.

Sérgio Luiz Marafon, foi também um dos grandes apoiadores do Bolão 23 Feminino de Videira, multicampeão dos Jogos Abertos, até porque sua esposa Kika jogava na equipe.

Em 1989, Terezinha (Kika), esposa de Sérgio foi considerada a melhor atleta de Bolão 23 Feminino do Brasil “Braço de Ouro”. Foi seis vezes campeã brasileira da modalidade
No Handebol, Fabiano foi várias vezes campeão estadual do JASC: por Chapecó, Videira e Blumenau.

Infelizmente, em 2013, o coração de Sérgio parou e o esporte videirense perdeu um grande expoente.

Sérgio Marafon (o primeiro em pé da esquerda para a direita), na comemoração de um dos títulos do Misto de Videira. Sempre foi um grande apoiador da equipe. Em 1980, o Misto disputou a Divisão Especial.

HOMENAGEM

Após seu falecimento, o Ginásio Medalhão, inaugurado em 1996, em Videira, passou a se chamar “Complexo Poliesportivo Sérgio Luiz Marafon”. Segundo relatos Marafon, era uma pessoa querida por todos, tinha muita moral na cidade de Videira.

Milson Oltramari, sem sombra de dúvidas, foi o melhor amigo do meu pai, comentou Fabiano Marafon, na Rádio Vitória, em 25 de janeiro de 2021.

ALGUMAS CURIOSIDADES DE SÉRGIO MARAFON

  • Adorava músicas sertanejas e gaúchas. Cantar era um de seus “hobbies”. “Fio de Cabelo” e “Ipê Florido” eram algumas de suas músicas preferidas. Diga-se de passagem, a família toda era de cantores (Kika, Sérgio, Fabiano e Patricia);
  • Nos finais de semana, ele gostava de ficar em casa. O churrasco começava as 8 da manhã e terminava a meia noite (risos). Participavam da festa, gaiteiros, violeiros e por aí a fora;
  • Sérgio tinha um caderno no qual escrevia músicas a próprio punho;
  • Marafon também adorava cozinhar. Na churrasqueira ele sentava as 8 da manhã e de lá só saia por volta das 13 horas, quando estava tudo pronto. Os convidados, eram os responsáveis por servir a bebida a ele;
  • Milson Oltramari, carinhosamente o chamava de “jóquei de elefante. E ele chamava Milson de “jóquei de hipopótamo”. Eram grandes amigos;
  • Flamenguista de coração e apreciador de um excelente churrasco na presença dos amigos;
  • Sérgio Marafon, chamava Adelmo Albiero de: “Bitigui”
  • Praticou diversas modalidades esportivas, mas se dedicou mais ao judô. Participou da equipe campeã do JASC, em 1971, em Itajaí. Como dirigente foi presidente da CME quando Videira foi bicampeã da modalidade no JASC, em 1981 e no Campeonato Estadual;
  • Trouxe decisão do estadual do bolão masculino para Videira;
  • Seu trabalho mais importante em nível de município, como então Superintendente da FMEV, foi a criação da Olimpíada do Interior e Interbairros, em 1998. Esteve a frente desta pasta de 1997 à 2000, com algumas outras passagens. Em 1997, Videira sediou a etapa estadual dos Jogos Escolares de Santa Catarina;
  • Foi três vezes vereador do município de Videira;
Sérgio Marafon, sentado na cabeceira da mesa. Milson Oltramari. Peixe, Adauto, Cantu, Camilo Penso, entre outros na histórica foto.

Com colaboração especial de Milson Oltramari e Adelmo Albiero, grandes amigos do homenageado.

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