Garça: da bola ao apito

Enemir Corozolla faz parte do quadro de árbitros da CBFS


Enemir Corozolla, concedeu entrevista no Show do Esporte da Rádio Vitória, onde contou sua trajetória no esporte, desde as categorias de base, futebol profissional, passando pelo amador, até chegar a arbitragem.

Garça, apelido que recebeu nos tempos do Kindermann de Caçador, nasceu em Céu Azul, no estado do Paraná. Seus primeiros passos no futebol profissional foram no Juventude, com apenas 12 anos de idade, onde fez teste de goleiro, sendo aprovado e passando pelas categorias de base (juvenil e juniores). Em Caxias do Sul, ficou seis anos, até vir para o município de Caçador, em meados de 1999, por intermédio de Salézio Kindermann, que na época, comprou seu ‘passe’.

Teve períodos no Kindermann, que chegava ser até engraçado. Jogava no juvenil no sábado a tarde, viajava para jogar com os juniores no domingo de manhã, e depois a tarde ia pro banco de reservas no futebol profissional, que na época era comandado pelo técnico Cabinho.

  • Garça esteve no Juventude, na época da fusão do Palmeiras e Parmalat. O goleiro do time principal era Isoton. Cafu, Jean Carlos, Galeano jogaram por lá também. De fato, uma época muito boa, da equipe de Caxias do Sul.
O por quê do apelido?

Em 1999, Alemão, o goleiro titular do Kindermann, se lesionou e na época, com apenas 17 anos de idade, Garça entrou na partida e defendeu um pênalti no confronto com a Chapecoense. A importante defesa ajudou a equipe caçadorense a sair com a vitória por 1 tento a 0 e inclusive lhe rendeu o apelido.

No reprise dos melhores lances da partida, no programa de Plínio Richter, com comentário de Sérgio Bada Badalotti, eis que surge a alcunha.

Plínio comentou o goleiro Enemir abriu os braços, voou na bola e defendeu. Bada Badalotti, brincou: Olha, ele é tão levezinho, que parece uma garça.

 

Os atletas caçadorenses estavam almoçando juntos no momento, e Enemir comentou: “Meu nome é estranho, não é normal não, mas Garça não né, é chato”. Como todo apelido, quanto menos se gosta, mais fácil pega, e assim ficou. No recreativo, à tarde, os atletas já entraram na brincadeira e começaram a chamar de Garça. Fardado de um chuteira Mizuno branca, já soava: olha a garça branca.

Sérgio Bada Badalotti foi o “responsável” pelo apelido
  • O nome Enemir é uma junção dos nomes dos seus pais: Maria e Enelino.
Passagem pelo futebol inglês

O goleiro Garça atuou no Kindermann de 1999 a 2001 (primeira passagem), quando foi a Inglaterra e ficou no time B do Tottenham, por um ano e oito meses, jogando o Campeonato Inglês na Segunda Divisão.

Na época, Salézio Kindermann enviou outros três jogadores junto: Ademir Sopa, Dênis e Luiz André. Houve uma proposta do clube inglês, porém após 90 dias de debates e negociações, os valores não fecharam e o acordo melou, retornando assim novamente ao Brasil.

Meninos, entendam se eu não valorizar os meus jogadores, quem vai valorizar? Comentou Salézio, no retorno ao Brasil, em Foz do Iguaçu (PR).

O Figueirense chegou a fazer propostas pelo atleta, mas que acabou não se concretizando. Em 2000, disputou a Taça São Paulo de Futebol Júnior, pelo Figueira, onde acabou se lesionando. Foi emprestado para o Joaçaba, onde alcançou o vice campeonato da segunda divisão do futebol catarinense, sob o comando do lendário treinador Mauro Ovelha.

Recordo ter sofrido um gol de Kuki, que na época (2000), jogava no Inter de Lages, e que mais tarde virou ídolo no Náutico.

Na Copa São Paulo de Futebol Júnior, defendeu o Figueirense, na época formado pelos atletas do Kindermann: Marcio, Ezequiel, Denis, Ademir Sopa, Luiz André, Garça, Roni, Davizinho, Marcio Ibicaré e Osmar.

Nas temporadas seguintes, o Kindermann fez uma fusão com a Chapecoense (2002-2004) e Garça acabou ficando em Chapecó, no período de um ano – Associação Chapecoense/Kindermann/Mastervet. A Chapecoense vivia uma grave crise financeira e acabou caindo para a 2ª divisão.

Futebol Amador

Depois de decidir parar com o futebol profissional, Garça, atuou pela região no futebol amador. Uma grande equipe que defendeu foi o Itajiba de Faxinal dos Guedes, que disputava o Estadual de Amadores: onze atletas de Caçador atuavam naquela qualificado time.

Garça (goleiro camisa azul), defendendo o CAC, em 2008, na Taça Coroado. Caçador ficou com o vice
Arbitragem: sua grande paixão

Com 23 anos, Garça decidiu se dedicar aos estudos, ingressou no curso de Educação Física e aí foi a porta de entrada, para a carreira na arbitragem, ou seja passou de réu a juiz (risos), bem cedo. Vários cursos, palestras, aprendizagens, até receber o escudo da Confederação Brasileira de Futebol de Salão, em 2010.

Comecei a trabalhar como estagiário, na Prefeitura Municipal de Calmon, na Escolinha. Era coordenador do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Depois montei uma Escolinha em Caçador, e sempre com aquela paixão pela arbitragem. Uma grande escola para mim, foi o SESI, de fato, aprendi muito nesta instituição. Por anos fui também árbitro da Federação Catarinense de Futebol (de campo), mas chegou um momento que tive que escolher e acabei optando pelo futsal.

Meu grande paizão na arbitragem, foi Acyr da Silva, o Gabinão, de Erval Velho. Me ajudou muito no inicio, me deu muitas oportunidades, sou eternamente grato. Atualmente tenho como espelho Gian Coelho Telles (FIFA), uma referência pra mim, excelente árbitro.

Gabinão e Garça
Enemir e Gean Coelho Telles foram os árbitros da primeira partida da final da Liga Nacional de Futsal 2020, entre Corinthians e Magnus
  • Em 2018, Enemir, foi premiado como o 3º melhor árbitro da LNF. Em 2019 e 2020, como 2º melhor árbitro.

Na arbitragem, Garça ganhou notoriedade e destaque, por ter um perfil tranquilo e sereno até mesmo no gestual técnico, além é claro, de ser amplo conhecedor das regras de jogo.

A calma foi sendo construída com a experiência. A ferro e fogo a gente não consegue nada. Como atleta, eu de certa forma era calmo, mas quando dizia de esquentar os nervos, aí ninguém segurava mesmo. Se eu saísse da área, o bicho pegava (risos).

Atualmente Enemir, é empresário no Paraná no ramo de proteção veicular, profissional de Educação Física e árbitro da CBFS (Confederação Brasileira de Futebol de Salão) já há 11 anos.

Fundação Municipal de Esportes de Caçador

Enemir, trabalhou na gestão 2016/2020, como secretário de Cultura, Esportes e Turismo, em Caçador, na gestão do prefeito Saulo Sperotto. Em 2017, Caçador foi sede dos Joguinhos Abertos, em 2018 Jogos Abertos e Parajasc, em 2019, alguns de seus legados no esporte caçadorense.

Que tem a dizer da experiência no setor público?

Posso afirmar, que poder público e gestão pública não é pra qualquer um. Acima de competência, você precisa ter muita força de vontade; se não você chuta o balde, com 60 dias. Outra situação: no meio público você não depende unicamente de você, tem leis que regem, como também em outros setores profissionais. Mas atualmente, em órgão público, a burocracia é muito grande o que acaba dificulta o andamento do processo. Além da falta de dinheiro que compromete algumas situações, outra tantas vezes, a própria política mesmo prejudica. Quando as pessoas entendem que você passa a ser ‘uma pedra no sapato’, devido a seu trabalho, sempre aparece o fogo amigo, a inveja e o ciúme dos próprios colegas, e isso é perigoso. O grande legado pra mim é, faça o bem não interessa a quem. Não existe gestão pública fácil. Aprendi muti com o prefeito Saulo e o vice Alencar.

JOGO RÁPIDO

Pior lugar que você já arbitrou? Joaçaba é complicado.

Um ensinamento de vida? Fazer o bem a todos. Não interessa a quem. Sempre ter os pés no chão, humildade, ensinamento que aprendi com meu pai.

Uma regra que mudaria no futebol/futsal? Acho uma desvantagem incrível, a regra do impedimento. Por sorte, no futsal não tem.

Taxa de arbitragem? Varia muito. A taxa em si é de 515,00 reais, daí tem as despesas de viagem e logística. Mas depende de outras situações, como por exemplo se é jogo de televisão, horário e outros.

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