A polêmica decisão do Interior de Videira de 1997

Relembre deste histórico episódio do futebol amador de Videira com o La Pelota!


A decisão do Futebol do Interior de Videira do ano de 1997 merece um capítulo especial. A segunda partida da final na comunidade de Rio Tigre não encerrou, por um lance polêmico. A tarde de domingo, dia 31 de agosto de 1997, seria o dia de apontar o campeão, mas o título foi só mesmo definido, no outro final de semana.

O árbitro Juarez Cislaghi, expulsou os dois atletas envolvidos no lance: empurra-empurra dentro da área, com a bola parada – e marcou pênalti a favor do Monte Alto de Aparecida, já na reta final do jogo. A equipe visitante, através de Neusclar Gusi, converteu a cobrança, decretando o empate, em 3 a 3, que levou o jogo para a prorrogação que só foi disputada no outro final de semana.

Antes mesmo do apito final, a informação chegou a campo (até porquê, poucos eram conhecedores profundos da regra), que o pênalti, não poderia ter sido marcado, apenas sim, o atleta ser expulso, afinal a bola não estava em jogo.

Reclamação veemente para cima da arbitragem da partida. Segundo alguns relatos, o árbitro chegou a ter a camisa arrancada. Que fique bem claro. Dizem, não afirmamos!

O jogo foi então paralisado! Como também já ia escurecendo a sequência da partida (prorrogação de 30 minutos), aconteceu, em outra data, no Estádio Municipal Luiz Leoni, com grande público, afinal os comentários é que o ‘pau ia cantar‘: fato que não se confirmou; equipes só jogaram bola, mostrando a qualidade de ambos os elencos.

Joarez Cislaghi, Bolinha e Carlito Ceron, foram os árbitros daquela decisão.

No Estádio, no dia 07 de setembro de 1997, já com os ânimos mais calmos, o empate permaneceu na prorrogação e a decisão foi para os pênaltis.

Mesmo perdendo as duas primeiras cobranças: Dirceu e Edmilson, o Juventude do Rio Tigre encontrou forças e aliada a qualidade e competência de seu goleiro Gilton Debus, conseguiu conquistar o título.

  • Neusclar Gusi e Dirceu Rigo, estiveram em novembro de 2020, no programa ‘Show do Esporte’, relembrando esta histórica decisão.
CURIOSIDADES DA DECISÃO
  • A primeira partida que aconteceu na comunidade de Aparecida, acabou em empate, em 0 a 0;
  • No Rio Tigre, um domingo de sol, com direito a foguetes, torcida de outras comunidades, da cidade e tudo mais. Um clima de decisão literalmente;
  • Valler, Testa e Dirceu Rigo (de cabeça) marcaram os gols do Juventude. Neusclar Guzzi do Monte Alto marcou dois gols para o Monte Alto (um de falta e o outro em cobrança de pênalti);
Dirceu Rigo foi o artilheiro do VEC em 1991.
  • O Juventude abriu 2 a 0, com 5 minutos de bola rolando;
  • O primeiro tempo terminou com vitória do Juventude por 2 a 1. No segundo tempo, o Monte Alto buscou o empate (2 a 2). O Juventude voltou a ficar na frente, por volta da metade do segundo tempo. Já nos minutos finais de partida, o polêmico pênalti, em questão;
  • Na segunda feira, após o jogo, no Rio Tigre, os jogadores Neusclar e Dirceu, se reuniram, junto a Fundação de Esportes, para ajustar detalhes para a prorrogação que seria disputada no Estádio Municipal;
  • Neusclar (um exímio cobrador de faltas) e Dirceu, inclusive, atuaram juntos, e por muitos apontados, como grandes zagueiros do futebol amador da região. Ambos muito bons, no jogo aéreo;
Neusclar: exímio cobrador de faltas e pênaltis
  • Luiz Carlos Spanholi, responsável pela escala da arbitragem e que trabalha na Fundação Municipal Esportes, manteve o árbitro, para finalizar a decisão, mostrando confiança;
  • Na prorrogação o Juventude atuou com 10 jogadores e o Monte Alto com 10. Alemão Crestani e Alemãozinho foram expulsos;
  • Gilton (Juventude) pegou três pênaltis naquela decisão. O goleiro do Monte Alto era Flavio Pagno;
  • O Monte Alto teve o “pênalti do título”, mas acabou desperdiçando. O título só foi decidido nas cobranças alternadas (7 pênaltis cobrados, cada lado).

Na foto, jogo da entrega das faixas, em 1998, em alusão a conquista do ano anterior. O amistoso foi diante de uma equipe do município de Joaçaba.

Em pé da esquerda para a direita: Luciano Micheletto, Edemilson, Alemão, Edinho, Buzanello, Luiz, Sérgio e Valmir. Agachados: Divonir Rigo, Melão, Gilton, Caroço, Vagner Pilatti, Riva, Vinagre Rabuske e Dirceu Rigo.
O ERRO E A VIRTUDE DE UM GRANDE ÁRBITRO

Quanto ao árbitro da partida, era considerado um dos melhores da região e após cometer o erro foi a campo –  no domingo seguinte – para arbitrar a continuidade do jogo, mostrando seu ‘profissionalismo’ e coragem.

Não se omitiu de seu compromisso, pelo contrário, bateu no peito chamando a responsabilidade, mostrando a competência que lhe era peculiar e deu prosseguimento ao jogo, coisa que poucos conseguiriam, mas Juarez se mostrou inflexível e o campeonato foi decidido em campo!

VOCÊ SABIA?

… Antes de se chamar Juventude, o nome da equipe era Embaixador (camisas vermelhas), em parceria com a Linha Santo Isidoro. Só depois veio a camisa amarela, e a nomenclatura de Juventude.

…Antes de se chamar Monte Alto, o nome da equipe era Aparecida FC. A mudança no nome, se deu pelo fato, de um vendedor (ramo de transportes) de São Paulo ter doado o Uniforme a equipe videirense. Este uniforme doado, era de um time de São Paulo, chamado Monte Alto, e o nome ficou, até hoje.

O MAIOR CAMPEÃO DO INTERIOR DE VIDEIRA

O Juventude do Rio Tigre possui inúmeros títulos no futebol, tanto a nível regional (Copa Arroio Trinta, Copa Vagner Pilatti, inúmeros torneios em comunidades), mas principalmente conquistas na esfera municipal; nos primórdios no extinto campeonato do interior e no histórico recente, os títulos do municipal unificado (Série A).

À priori, são cinco conquistas do Interior, na categoria principal: 1996, 1997, 2001, 2002 e 2003. Outras três, no histórico recente na cidade (2016, 2017 e 2018, em parceria com o Quiosque Testolin), além de algumas Taça Cidade Interior, competição que envolvia o campeão da cidade contra o campeão do interior da temporada.

A EXPRESSÃO: OHHH, RIO TIGRE

Em 1959, no primeiro torneio de inauguração do Estádio Municipal Luiz Leoni, o Rio Tigre foi campeão. No jogo final, uma chuva forte, campo virou literalmente um lamaçal. O Rio Tigre perdia por 1 a 0, os jogadores entraram em consenso e jogaram descalços (apenas os goleiros com chuteira).

Com estas condições, o Rio Tigre virou o jogo para 2 a 1, e dai surgiu a tradicional expressão, muito provavelmente pelos chutes de bico, sem chuteira. A forma de parar o jogo, era o balão do Rio Tigre (risos).

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