Aílson Carreiro, um exemplo de persistência

Da infância pobre, aos gramados da Série A do Brasileirão

“Não diga que a canção está perdida, tenha em fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez”, com este trecho da música de Raul Seixas, podemos abrir esta reportagem especial, afinal o personagem é um exemplo de persistência, dentro e fora de campo.

A infância

Jardineiro e catador de entulhos (reciclagem) na infância, em um bairro humilde, em Montes Claros (Minas Gerais), assim foi a vida de Aílson Alves Carreiro, para ajudar no sustento da casa, afinal veio de uma família pobre, que passou bastante dificuldades. Uma longa história, de muita fé em Deus, até mais tarde chegar a atuar no Brasileirão Série A, contra Neymar, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho, por exemplo.

Enfrentei muitas dificuldades, em minha vida. Para vocês terem uma ideia, atualmente, só entro no bairro onde nasci, com os vidros do carro aberto e se me apresentar. Fui jogador de futebol, pois persisti demais e queria uma condição melhor, para minha família.

Os primeiros primeiros passos de Aílson no futebol, se deram no ano 2001, no time da cidade, a Associação Atlética Ateneu, com o grande sonho de dar uma condição melhor a sua família, e o “simples” fato de ter uma alimentação de qualidade. Sem uma formação em categorias de base, apenas alguns exercícios, em campos de terra, Aílson, realizou um teste e chamou a atenção dos dirigentes.

No início da carreira muitas dificuldades. Em alguns clubes, não recebi salário. No Ateneu, um salário de 35,00 reais por cinco meses trabalhados. A Nova Schin patrocinadora do time, forneceu alguns fardos de cerveja. Tivemos que vender elas para arrecadar um valor, para conseguir dinheiro para passagem para ir tentar a sorte em outro clube. Muitos clubes, não recebi salário. De fato, muitas dificuldades, mas são lições e aprendizados que levo para minha vida.

De Minas Gerais, chegou a São Paulo, por intermédio de seu empresário Paulão, lá apareceu a oportunidade de vir até Fraiburgo, em 2002, atuar pelo Clube Atlético Fraiburgo, que naquele ano disputou a Seletiva do Catarinense.

Depois passou pelo Marcílio Dias, Cianorte (Paraná), Tiradentes (Tijucas), Luziânia (GO), Juventude de Primavera do Leste, Anapolina, Ceilândia, até chegar ao Brasiliense, em 2006, que acabou sendo o divisor de águas, em sua carreira no futebol profissional.

Carreiro defendeu o CAF/Fraiburgo em 2002 e 2004

Sob o comando de Lula Pereira, no Brasiliense, e coordenado pelo político Luiz Estevão, sagrou-se tetracampeão brasiliense (2006, 2007, 2008 e 2009) e ganhou notoriedade.

Minha estreia no Brasiliense foi pelo Brasileirão da Série B, foi em um jogo com o Coritiba. Vencemos por 4 a 1, em 2006, e fui um dos melhores jogadores, em campo. Nesta equipe tive a oportunidade de atuar junto com Júnior Baiano e Fabão. No Brasiliense, o salário era razoável, mas o “bicho” era ótimo, era um incentivo, que o Luiz Estevão, dava aos jogadores para ganhar os jogos.

Em 2010, chegou ao Guarani, onde teve a oportunidade de disputar a Série A do Brasileirão e inclusive ser o capitão da equipe. Em 2012, novamente na Série A, com o Sport. Em 2014, foi campeão goiano da 2ª divisão, com o Caldas Novas.

No Guarani, formei dupla de zaga, com o campeão Mundial, Fabão, ele dava carinho de cabeça (risos). Outro companheiro de clube, o Neto, sobrevivente do acidente aéreo da Chapecoense, em 2016.

Jogadores que enfrentou

Kleber Gladiador, Emerson Scheik, Fred, D’Alessandro, Deco, Neymar, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Vagner Love, Marcos Assunção, Bruno Henrique, Nikão, entre outros.

Aílson marcando Emerson Scheik. Ao fundo Fabão, seu companheiro de zaga, no Guarani.
Neymar e Ronaldo Fenômeno eram diferenciados. Um cara chato de marcar, o Nikão (hoje no Atlético Paranaense). No futebol amador, o Fumaça, dá muito trabalho.

Jogo Rápido

  • Uma Resenha – Uma partida entre Vila Nova e Brasiliense. O treinador do nosso time, ‘sacou’ o Túlio Maravilha do jogo. No fim do jogo o Luiz Estevão, entrou no vestiário, após a derrota e levantou pelo colarinho da camisa, o nosso treinador e falou: “você está acabando, com o meu time”. Depois, virou em risos.
  • Melhor gramado? Morumbi (SP)
  • Estádio mais encantador? Engenhão (RJ)
  • Ofereceram mala branca e mala preta na rodada final do Brasileirão de 2010 (Fluminense x Guarani)?: Sim, ofereceram: Fluminense (mala preta), Cruzeiro e Corinthians (mala branca). Fluminense ofereceu 1,3 milhões para “dar uma relaxada”. Corinthians ofereceu 1,5 milhões para ganhar. O Cruzeiro se manifestou depois através do Apodi, que estava emprestado do Cruzeiro para o Guarani (ofereceu 2,5 milhões). Não aceitamos nenhuma das propostas.
  • Mais gols de cabeça ou com os pés? Com certeza, com a cabeça.
  • Teve amigos ou ex-jogadores que lhe ofereceram drogas? Sim, tive amigos na minha infância, que usavam drogas. Alguns hoje estão presos, outros já falecidos.
  • Cruzamento mais açucarado? Adriano Bazolla.
  • Clássico mais quente que jogou? Guarani x Ponte Preta, principalmente pelo extra-campo (torcida e outros)
  • Clube da juventude: Imperador EC
  • Time do coração? Atlético Mineiro
Na Copa Regional dos Campeões, foi algumas vezes eleito o CARA DO JOGO
Curiosidades
  • Sua família é composta de sete irmãos. Casou em 2004, com a fraiburguense Elaine Mariely Carreiro;
  • Quando estava no Brasiliense, seu empresário recebeu propostas do futebol alemão;
  • No Cianorte (PR) conheceu com o goleiro Danilo (subindo da base para o profissional), falecido no trágico acidente aéreo da Chapecoense.

Tudo que conquistei foi fruto de muito trabalho e dedicação. Sou de família evangélica, e sempre acreditei muito em Deus. Basta a pessoa querer, e acreditar.

Atualmente Aílson está atuando no futebol amador: FEC, Master Fraiburgo

Confira a entrevista completa no Show do Esporte da Rádio Vitória

PÓS FUTEBOL

Pretendo me formar em Educação Física e ser treinador de futebol.

Sempre tive em mim, esta liderança dentro de campo, de saber conversar. Aprendi muito com os treinadores que trabalhei. Mas já posso adiantar: Não vou ser treinador de passar a mão na cabeça de jogadores.

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