Everaldo: Do Borússia ao VEC

Zagueiro passou pelo Videira Esporte Clube, em 2006

Everaldo foi o convidado do programa Show do Esporte da Rádio Vitória”, no dia 24 de agosto de 2020. Marciel Tascheck e Gillian Olivo, bateram um papo bem descontraído, com o ex-jogador, que atualmente comanda um projeto social.

Ele foi contratado pelo Borússia, em 1998, na época atual campeão do mundo, e em 2006, veio parar no Videira Esporte Clube, iniciando um projeto, que possuía a Torcida Mancha de Vinho. Sem dúvida, um recomeço, para quem já tinha conquistado a glória no esporte.

 

Resumo

Everaldo Batista Veveu, zagueiro, lateral esquerdo, que atuou por anos no futebol profissional. Defendeu três clubes na Alemanha, e grandes equipes do futebol brasileiro. Entre elas: Palmeiras, Atlético MG, Fortaleza, São Caetano, Sport, Náutico, Criciúma, Bragantino, Itumbiara, Novo Hamburgo, entre outros.

Nascido em 07 de junho de 1974, Baiano, de Dias D’Avila, conhecido como Cidade das Águas (maior lençol freático de água mineral da América Latina) a 50 km da capital Salvador, de aproximadamente 100 mil habitantes

Quantos irmãos? Mais algum seguiu pro lado do futebol profissional?

Somos uma família grande, de 13 irmãos (atualmente somos em 12, uma irmã já falecida). No futebol profissional, Totinga (1975) e Eraldo, o Dedê (1977). Marcelo quase vingou no profissional, mas infelizmente por problemas familiares (perda de nossa mãe), acabou desistindo. No Amador, vários atuaram. Meu pai era um zagueiro, que se destacou pelo bom cabeceio.

Qual foi teu primeiro Clube na infância e onde se profissionalizou?

Atlético da minha querida cidade de Dias D’ Avilla, onde meu pai e meus irmãos começaram também. Um clube amador, que temos um carinho imenso. Comecei a gostar do futebol, com cinco anos de idade.

Tive passagem nas categorias de base do Bahia, em 1990, onde acabei sendo reprovado na peneira. Não desisti, e fui para o Galícia, depois para a base do Vitória em 1993 (finalista do Brasileiro naquele ano, perdeu o título para o Palmeiras), e depois me transferi para o Camaçari (94/95), com 17 anos, com o professor Sapatão (in memorian), onde acabei me profissionalizando.

Detalhe curioso, que tive que ir ao Vitória, pedir para o Nilton Rota, liberação do Vitória (onde nem cheguei a treinar), para poder me profissionalizar no Camaçari.

E a sequência no futebol profissional?

Tive atuações de destaque no Camaçari. Em 1996, fui para o Vila Nova de Goiás (empréstimo de três meses). No ano seguinte, disputei o Campeonato Baiano pelo Camaçari, onde acabamos caindo pra Série B. Foi aí, que tive a oportunidade de ir para a Espanha, mas o negócio acabou não rolando. Continuei no Camaçari, em 1997, onde fomos campeões da Série B. Despertei o interesse do União São João de Araras, em 1998 (técnico da equipe era Jair Picerni. Léo, que depois brilhou no Santos, era seu companheiro de posição).

Fui então vendido para o Borússia Dortmund da Alemanha, mas de fato, minha cabeça estava no Brasil, por saber dos problemas de saúde com minha mãe, que estava acamada. Pensei: minha família, em primeiro lugar. E na época, só eu que tinha condições de ajudar. Por esse fato, pedi para ser emprestado para o Atlético Mineiro, retornando ao Brasil, para disputar o Brasileirão. Na verdade, nem cheguei a jogar pelo Borússia, em 1998, só treinei mesmo.

Futebol Alemão…

O contrato com o Borússia era de 3 anos. Infelizmente não recebi oportunidades, recebi sim, uma proposta do Greuther Furth, do sul da Alemanha, ao lado de Frankfurt. Lá disputei a 2ª divisão, clube de grande estrutura, inclusive. Depois atuei ainda pelo Ahlen, na Alemanha, onde disputei aproximadamente uns 15 jogos, o primeiro turno do campeonato. Vim de férias pro Brasil, e fui apresentado no Palmeiras.

As atuações lá na Alemanha, despertaram o interesse do Verdão Paulista já no ano de 2002 (ano que o Palmeiras foi rebaixado). Mas o negócio se concretizou, apenas em 2003, para a disputa da Série B. Everaldo, foi apresentado junto com Leandro Amaral. A equipe era comandada por Jair Picerni, que já havia trabalhado com o atleta no União São João.

Tive alguns empecilhos, iniciei a temporada como titular, mas queria jogar de quarto zagueiro e não de lateral. Minha “briga no bom sentido”, com o Jair Picerni, foi justamente esta. Mas como o Palmeiras, já tinha grandes nomes para a posição: Gustavo, Índio, Leonardo e acabei não sendo utilizado. Fui apresentado com a camisa numerada (nº 6). Na goleada que o Palmeiras levou do Vitória por 7 a 2, eu não estava (risos)…Fui campeão da Série B, mas sem jogar.

Everaldo (camisa verde nº 3), em ação no futebol alemão

Uma resenha com o goleiro São Marcos, dos tempos de Palmeiras?

Marcos é um cara resenha. Gente do bem. Uma resenha: No jogo do 7 a 2, que o Palmeiras perdeu pro Vitória, ele conversou com nós jogadores e comentou: “Se a bola viesse novamente na sua meta ele ia deixar passar, já que estava 7, que virasse 20 de uma vez (risos). Ele ia abrir as pernas, e ia deixar entrar.

Marcos é um caráter excepcional de pessoa. Sérgio goleiro, outra pessoa maravilhosa (jogamos juntos no Itumbiara).

Qual foi teu último clube na carreira?

Grapiúna de Itabuna, na Bahia, no ano de 2012. Aceitei o convite de três meses, fizemos um grande campanha, disputamos o acesso, mas acabamos não subindo.

Tu jogava de lateral e de zagueiro, mas você preferia mais ser zagueiro ou lateral?

No início preferia atuar na lateral por ser um jogador forte fisicamente e batia muito bem na bola. Gostava de jogar nas duas funções na verdade. Mas depois da passagem no VEC em 2006, decidi atuar apenas como quarto zagueiro. Gostava de atuar no esquema com três zagueiros.

  • No VEC fez ótimas partidas como lateral esquerdo e marcando gols inclusive

Você jogou no Borússia Dortmund na Alemanha (1998, no ano anterior o Borússia havia sido campeão mundial, ganhando do Cruzeiro por 2 a 1), aquele torcida é super elogiada pela Muralha Amarela que faz no estádio e encanta o planeta, é diferente mesmo?

Acabei nem jogando por lá. Só treinei mesmo e devido alguns problemas de contrato, acabei atuando no time B (Aspirantes). Pois logo retornei ao Brasil, para cuidar da minha mãe, e jogar no Atlético MG.

Mas tive a oportunidade sim, de assistir alguns jogos, e ver a Muralha Amarela, a atmosfera realmente é show. Torcida maravilhosa, joga junto com o time.

 

Depois que se torna profissional o jogador ele não torce mais como antes, a profissão fala mais alto, mas agora você já encerrou a carreira esse coração bate mais forte pelo tricolor de aço ou pelo nego ai na Bahia? Ou torce para outro time?

Bahia, é meu time de infância

Para quem já tinha passado por grandes clubes do Brasil e do mundo, como Palmeiras, Atlético Mineiro, Borussia da Alemanha, vir parar em Videira em time novo, na segunda divisão. Foi um recomeço na tua carreira, em 2006? Como tu veio parar em Santa Catarina?

Estava no Sport Recife. Em 2005, pensei em abandonar o futebol, montei uma churrascaria e pizzaria em Campinas (mas vi que não era o momento de parar ainda). Aí recebi proposta do Atlético de Ibirama, cheguei mal fisicamente, pois 2005, acabei não jogando. Em 2006, joguei contra o Atlético MG, Copa do Brasil.

Recebi o convite do VEC. Ressalto a importância do presidente Gilson Parolin (me disponibilizou o carro para ir até Blumenau, onde defendi o Metropolitano), foi um cara muito importante na minha vida. Fui muito feliz no VEC. Foi uma oportunidade maravilhosa.

Você marcou alguns gols aqui, e fez uma grande temporada, o que tu lembra daquela equipe?

Do VEC lembro, do convívio, da irmandade, daqueles meninos começando sua carreira, o querer, a vontade de vencer, a união. É isso o que está na minha memória, até hoje.

E o jogo com a Camboriuense?

Camboriuense, que tinha como o Valdo de presidente. Eles acharam que era fácil vencer a nossa equipe, dentro do nosso Estádio. Mas, nós não temia nenhum adversário, fosse dentro ou fora de casa. Quando iniciou aquele jogo, vimos que o bicho ia pegar. Este jogo ficou pra memória. Mostramos que era difícil, eles bater a gente.

Aí você sai do VEC, vai para o Metropolitano de Blumenau, aí pro Criciúma (Série B, melhor zagueiro) e chega no Náutico, que naquela temporada disputou o Brasileiro da Série A. Me conte, sobre o golaço marcado contra o São Paulo de Rogério Ceni, nos Aflitos, inclusive que foi campeão em 2007 e 2008...

Minha carreira decola novamente. Não tive vaidade, em atuar em nenhuma equipe. Por trás, prezava sempre pela minha carreira. Dar, o melhor sempre.

Devo isso ao VEC, essa ascensão minha. Foi aqui que tudo começou. É um dos clubes que tenho um carinho enorme, por esta equipe. Não vou esquecer nunca: meu recomeço…Todos os gols são importantes. Mas este foi sim, um dos gols mais marcantes e importantes, da minha carreira. No Náutico, em 2007, conseguimos manter a equipe na Série A. Joguei junto com Geraldo, Acosta…

Everaldo, Gustavo Nery e Geraldo, em partida pelo Brasileirão Série A: Náutico x Corinthians

Pós Futebol

Academia de Futebol Craque da Bola, desde 2016, este projeto social. É gratificante poder passar um pouco do conhecimento a eles, do que aprendi no futebol. Everaldo te seis filhos.

Já fiz um time de futsal

JOGO RÁPIDO

Já saiu no braço com adversário ou companheiro?

Sim. No ano de 98, no Atlético MG, tive problema com o Caio, amigo do presidente. Foi brincar comigo, e infelizmente tivemos que sair no braço. Ele teve sorte, que o pessoal tirou.

Qual jogador mais difícil que marcou? Atuando pelo Bragantino, marcou Ronaldo Fenômeno, Gustavo Nery, que estavam no Corinthians. Tuta

O que tive mais problemas dentro de campo: KLÉBER GLADIADOR, era marrento, chato, maldoso, gostava de bater em zagueiros. Palmeiras x Náutico. Já comentamos com os companheiros de zaga do Náutico, abrimos literalmente a caixa de ferramentas. Foi um duelo marcante. Eu dei tanto nele, neste jogo. Eu tinha que me impor.

Já jogou em campo ruim, mas ruim, tipo muito ruim, nível estádio Luiz Leoni, em 2006 que era ruim?Sim, na Bahia tinha vários que pela amor de Deus…

Já foi pra “night” em véspera de jogo e no dia da partida tava um bagaço? Não. Mas depois do jogo, tomar um chá com os amigos, este sim.

Já viu companheiros fugir da concentração? Não

Nos grandes clubes tem a troca de camisa, você tem algumas camisas trocadas dessa época?

Sim. Mas guardei poucas delas. Ficam as lembranças na memória, apenas. Guardei uma do Ricardo Rocha.

Para finalizar, mais uma resenha?

Em 1998, Meu primeiro carro, quando estava no União São João. Não tinha nem carteira de habilitação. Já amassei toda a lateral, quando fui guardar o carro. Prejuízo foi enorme, naquela época comprei um Escort XR3.

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