Pança, o icônico goleiro da Perdigão e da seleção

Marcelo Pazzini é ídolo, em Videira

Marcelo Pazzini, natural de Belo Horizonte (Minas Gerais), mas que já na infância passou a residir em São Paulo, onde estreou em sua primeira equipe: o Clube Círculo Militar, passando pelo Gercan (80 a 84), até vir parar, em Videira, onde viveu o auge de sua carreira esportiva, atuando pela Sociedade Esportiva e Recreativa Perdigão.

Pança, nasceu em 1º de janeiro de 1957. Filho de Gerson e Lea Lúcia

 

Detalhe curioso de sua carreira é que não passou pelas categorias de base, como geralmente acontece com os jogadores. Pança, foi direto para o adulto.

O seu nome pode mexer com a lembrança de poucos, mas quando se fala em PANÇA, os olhos dos videirenses brilham. Ele foi o principal goleiro na fase áurea da Perdigão. Sua forma física avantajada lhe rendeu o apelido, mas sua agilidade e reflexo eram um tormento para os adversários.

Depois de passar em Videira, Pança jogou em outros tradicionais clubes de futebol de salão (ou futsal, como queiram): Trilhoteiro de Pelotas (RS), Associação Atlética Enxuta de Caxias (RS), General Motors/GM (SP), Maneca (SP), Banespa (SP) e Banfort (CE).

  • Curiosidade! GERCAN, significa, Grêmio Esportivo Recreativo Cartório Adalberto Neto
Pança jogou na Perdigão de 85 a 87. A principal conquista foi a Taça Brasil de 1987.
A NEGOCIAÇÃO

Quando Saulzinho (Saul Brandalise Júnior) foi contratá-lo, em São Paulo, o na época, jovem goleiro da Gercan, pensou em pedir uma alta grana, por entender que o empresário de uma cidade pequena, não iria aceitar a proposta.

O lendário dirigente esportivo da Perdigão, sem saber quanto este iria pedir, ofereceu cinco vezes mais (entre luvas e salários) e não teve como o goleiro recusar a tentadora proposta. Veio e tornou-se ídolo.

  • Saulzinho estava acompanhado de Chico Berti (seu fiel escudeiro) e o almoço que confirmou a negociação, aconteceu no Restaurante Almanara, em São Paulo (relato de Pança a Rádio Vitória, em 20 de julho de 2020). Importante destacar que Pança, teve proposta também do Corinthians, nesta época.

Reza a lenda, que ele teria dito a sua esposa que iria almoçar com um empresário de uma equipe do interior de Santa Catarina, cidade de Videira, conhecida pela criação de porcos e galinhas, mas que não deveria demorar, pois não acreditava que a proposta iria se concretizar em uma real negociação. Na volta pra sua residência, haveria comentado a esposa: “Quando me apresento. Adoro cheiro de galinha e porco!?”. Chegando em Videira, concedeu entrevista ao repórter Milson Oltramari.

Na Perdigão, fez parte da primeira equipe profissional de futebol de salão, e jogou ao lado de outro craque: Jackson, melhor do mundo na época. Na ocasião, foram as maiores contratações da modalidade.

  • No Gercan, Pança disputava titularidade com o avantajado goleiro Robertão, bem mais grande, que o próprio Pança. Na Perdigão, sua “sombra”, foi o também excelente goleiro Norberto.

Em 20 de Julho de 2020, Pança participou do Programa Show do Esporte da Rádio Vitória. Vale a pena conferir, um bate papo, descontraído e com muito conteúdo…

CONQUISTAS

No seu currículo de títulos, Pança possui três campeonatos estaduais com o o Grêmio Gercan (82, 83 e 84), três catarinenses com a Perdigão, dois brasileiros (chamado de Taça Brasil na época) um título gaúcho com o Pelotas, dois campeonatos Sul-Americanos, um Pan-Americano (1984) e dois Mundiais com a seleção brasileira, além de ser campeão brasileiro com a seleção paulista (1981) e seleção cearense.

Seleção Brasileira – Campeã Mundial de 1982 (no Brasil), fato que se repetiu, em 1985 (na Espanha)

Pança gravou o seu nome na história do futebol de salão por fazer parte do primeiro e segundo título Mundial do Brasil. Ao todo, foram três participações em campeonatos mundiais com a camisa verde a amarela. Em 1988, ano da terceira disputa, ficou com o vice-campeonato, após perder a decisão para o Paraguai, na Austrália.

Matéria Globo.com falando da conquista do Mundial de 82!

Valdecir, Zebu e Pança, em encontro festivo da Perdigão, ano de 2012, em Videira. O preparador de goleiros da Perdigão era Ricardo Lucena.
CURIOSIDADES
  • Pança, recebeu este apelido, ainda na infância;
  • Vagnão, foi seu primeiro treinador;
  • CJ14 do Itaim, foi onde o goleiro deu seus primeiros passos no futebol de salão;
  • Carreira meteórica – Nos primeiros anos de sua carreira ‘profissional’ foi reserva. Depois ganhou a titularidade, títulos e em poucos anos, chegou a seleção brasileira. Com 19 anos era reserva de seu clube, com 22 anos estava na seleção brasileira;
  • O primeiro título conquistado foi o Torneio Início de São Paulo;
  • Esteve três vezes no Japão. Em um das viagens ao oriente, uma pernoite em Los Angeles (EUA), onde teve a oportunidade de assistir um jogo do Los Angeles Lakers (basquete), das feras Kareem Abdul Jabbar e Magin Johnson;
  • No mundial de 1982, com jogadores amadores (todos tinham outra profissão), Pança jogou apenas uma partida, diante da Costa Rica, a qual o Brasil venceu por 14 a 0. Beto era o goleiro titular, um de seus ídolos;
  • Em 1987, atuando na Perdigão, Pança recebeu a medalha de “Melhor Atleta do Ano”, da modalidade de futebol de salão;
  • Pança encerrou sua carreira aos 35 anos de idade no Banfort (Ceará), em 1992;
  • Após se aposentar das quadras, Pança se arriscou como treinador, onde trabalhou alguns anos no Ceará, e três meses em Blumenau. Mas acabou não vingando na carreira. Segundo ele mesmo, foi um dos cinco piores treinadores da história (risos);
  • Frank Zappa é um de seus cantores preferidos;
  • O goleiro Beto é um de seus ídolos no futebol de salão.
PÓS FUTSAL

Pança, atualmente está em Blumenau, onde reside há aproximadamente 20 anos. Trabalha como representante comercial no ramo têxtil. Pança, é uma pessoa alto astral, alegre, uma simpatia em pessoa.

Marcelo Pazzini é pai do Gabriel, Marcella e André, avô de Maria Laura e Enrico.

Com informações: Federação Paulista de Futsal, Milson Oltramari, Pardal e Adelmo Albiero

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