Bate papo com o capitão Sobrosa

O gaúcho Luciano Sobrosa jogou por 10 anos na Índia


Como diz um trecho do hino riograndense “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”, assim foi para o Videira Esporte Clube (VEC), o zagueiro artilheiro, capitão e gaúcho de Santo Ângelo, Luciano Sobrosa, que participou do Programa Show do Esporte da Rádio Vitória.

Os melhores vinhos, salame e torresmo, com certeza são os de Videira. É uma cidade que tranquilamente eu moraria, com minha família, afinal está em meu coração

  • O sobrenome Sobrosa, é de origem portuguesa
  • Alemão, que atuou no VEC, em 2010, também é de Santo Ângelo – RS

Assim como Jé, Sobrosa foi mais um a destacar, que a formação do VEC de 2006, se deve muito a Sérgio Rodrigues (o Serjão, já falecido, inclusive).

O quarto elemento que parava no ar?

Para os videirenses, em 2006, existiam quatro coisas que paravam no ar: o Helicóptero, o Beija Flor, Dadá Maravilha e Luciano Sobrosa, isso porque, o zagueiro se caracterizou por ser um grande cabeceador.e por isso fez muitos gols (logicamente que a famosa frase, foi adaptada).

O segredo do cabeceio está no tempo de bola e no posicionamento. No VEC, eu era um dos mais baixos do time (1,81 metros). E talvez por isso, fiz muitos gols. O pessoal na área marcava o Washington, Everaldo, Ademir e sobrava mais espaço pra mim. Há que destacar também os especialistas em cobranças de bola parada da equipe, Jé e Carlos Rogério, que facilitavam isso também. E é claro, tem que ter um pouco de sorte também.

  • Ademir, seu companheiro de zaga no VEC, atualmente é diretor de futebol do Caxias RS
Luciano Sobrosa, com a taça de campeão do Turno da Divisão de Acesso, em 2006

Em sua carreira no futebol profissional, o zagueiro atuou em várias equipes do interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e também nos estados do Rio de Janeiro, Goiás, além do futebol indiano, por dez anos.

Passei por aproximadamente trinta equipes, em 18 anos de carreira profissional. Iniciei minha carreira no Ypiranga de Erechim, quando o treinador da equipe principal era o Tite, técnico da Seleção Brasileira.

Algumas equipes, em que Sobrosa atuou

Durante o bate papo, Luciano, enalteceu as amizades construídas em Videira. Destacou principalmente Celsão, Adelmo, o Dr. Anderson Caon, Dr. Jorge, Parolin, Nereu.

Fazer futebol no interior não é fácil. É louvável quem tenta fazer futebol assim.

Uma notícia dos bastidores, contada por Jé

Alguns jogadores do VEC tomavam glicose antes da partida, com o intuito de melhorar o rendimento em campo. Quem aplicava a injeção nos atletas, era o massagista Baltazar. Certo dia, Sobrosa resolveu adotar tal prática, possivelmente pelo cansaço da viagem. No hotel em que estávamos, Sobrosa passou mal e a orientação do massagista era que ele não atuasse na partida. Porém, quando começamos a se fardar, Sobrosa resolveu ir pro jogo: fez o gol, ganhamos de 1 a 0, em Mafra.

Zagueiro raiz ou nutella?

Zagueiro raiz. Fui criado na fronteira com o Uruguai. Desde o início da minha carreira, sempre fui zagueiro. Jogando segunda divisão de Gauchão, não tinha como não chegar junto. Mas tive momentos mais técnicos também, tudo depende do esquema tático, da equipe e do treinador. Mas, de fato, a primeira função do zagueiro é ser firme, e é claro o posicionamento, isso facilita tudo.

FC Goa, foi a primeira equipe de Luciano, na Índia

Futebol Indiano

A Índia é o segundo país mais populoso, o sétimo maior em área geográfica.

São vários países, dentro de um país só. É uma diversidade de cultura bem grande. No início foi difícil, os primeiros três, quatro meses. Depois da chegada do Jé, no mesmo clube, que o meu, acabou facilitando um pouco, ficando um pouco mais leve a estada por lá. Em relação ao futebol, posso afirmar que eu venci. Fui capitão, em vários clubes por lá, onde fui campeão nacional, da Copa da Índia, Estadual, joguei duas Copas da Ásia (onde conheci aproximadamente uns dez países). Foi um sucesso total.

Uma resenha

Todo jogador antes da partida, tem o hábito de dar aquela barrigada (ir aos pés como queiram). Na Índia, chegando no Estádio, no banheiro, não tinha papel. Lá limpavam com a mão, com água, enfim. Eu cheguei no treinador, me arruma um papel, um guardanapo, urgente (risos). Depois que fui aprender, fiquei esperto e comprei o meu próprio papel. Mas estes hábitos mudaram por lá…

 

O atacante mais difícil de marcar?

Teve vários. Nilmar, no auge do Inter, era muito rápido, difícil de marcar. No Campeonato Goiano, tive que marcar o Araújo, que vivia naquela época, uma fase espetacular. Além de Fernandão, Cristian, Washington Coração Valente, entre outros. Eram caras, que pensavam sempre a frente da gente. Muito bons. Pra ter uma ideia, em 2006, no Passo Fundo, enfrentei a base daquele time do Inter, que foi campeão mundial, diante do Barcelona. Na Índia, também enfrentei grandes adversários, inclusive lá atuei junto com outros brasileiros, Lúcio, Léo Moura, Richarlyson, Reinaldo, onde fomos comandados pelo Mestre Zico.

No pós carreira, Sobrosa atuou na Seleção Brasileira Master Cristã, junto com Rivaldo, Amaral, Edmílson, entre outros

DE PRIMEIRA
  • UFC ou Fórmula 1?  – UFC
  • Chimarrão ou café? – Chimarrão
  • Gustavo Lima ou Luan Santana? Nenhum
  • Viver é o que? É compartilhar coisas boas, momentos. Este vírus veio pra mostrar muita coisa pra gente. Viver é agradecer. Ser saudável de espírito.
  • Um sonho? Ver minhas filhas crescer, ver elas se encaminhar na vida
  • Complete o refrão…Como aurora precursosa…Do farol da divindade, foi o vinte de setembro, o precursor da liberdade…(Hino Riograndense)
  • Lasanha ou Macarrão? Lasanha
  • Romário ou Ronaldo? Essa é difícil. Mas Romário, dentro da área
  • Salame ou morcilha? Salame
  • Juventude ou Caxias? Caxias
  • Inter ou Grêmio? Inter
  • Gramado ou Canela? Tú acredita, que eu não conheço nenhum dos dois (risos)
  • Um arrependimento? No inicio de minha carreira, não ter me cuidado e ter a mentalidade que tinha com 26, 27 anos. Talvez, pudesse ser diferente.
  • Uma alegria? Nascimento das minhas filhas
  • Medo de avião? Não. Mas já passei um sufoco, numa turbulência, que achei que o avião iria cair, de tremer na base.
  • O mundo pra ti é o quê? Uma diversidade. O mundo não é só o quintal de nossa casa. O que é certo pra mim, não seja para o outro, então respeito.
  • E Videira pra você é o quê? Videira é uma cidade muito especial. As coisas não estavam acontecendo em minha carreira no futebol, como eu gostaria. Tinha até cogitado, depois do VEC parar e jogar apenas o amador e fazer a faculdade de Educação Física, e fixar residência, em Videira mesmo. Aí apareceu o negócio no Juventus do Jaraguá, onde tentei mais uma vez e aí conheci o cara, que me levou pra Índia. E daí só parei, com 37 anos. Ou seja, no pós Videira, tive uma ascensão em minha carreira.

Show do Esporte

O convidado especial do Show do Esporte desta segunda feira, é o capitão do VEC de 2006: Luciano Sobrosa. Comente, compartilhe e deixe seu recado!

Posted by Rádio Vitória on Monday, May 11, 2020

Acompanhe o programa completo da Rádio Vitória, com Luciano Sobrosa

 

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