A Batalha de Xanxerê

Jogo épico, entre Olaria e Tangará, em 2012


Era ano de 2012, a Copa Regional dos Campeões não aconteceu naquela temporada, e o Estadual de Futebol Amador – Fase Oeste teve a participação de 21 times, entre eles representantes de municípios próximos, como Campos Novos (Coopercampos), Pinheiro Preto (ABEC Pinheirinho) e Tangará (Associação Atlética Tangaraense).

A primeira fase ainda mais regionalizada dividiu os times levando em consideração a localização geográfica. Tangará fez uma das piores campanhas em seu grupo na primeira fase, e já sabia que teria uma das melhores campanhas na próxima fase, oitavas de final, fase mata mata. Porém a pedreira foi maior do que se imaginava, a equipe teve de enfrentar o Olaria de Xanxerê, uma das mais tradicionais equipes do futebol amador do estado, tanto é, que o time era o atual campeão estadual de futebol amador. Em 2011 havia conquistado o título da região oeste, e também o estadual, vencendo a todos os campeões das outras regiões, e vinha em busca do bi-campeonato.

Olaria – Campeão Estadual de Amadores em 2011. Na decisão geral, venceu o Náutico de Florianópolis por 2 a 0 (gols de Patricio e Arison). Na fase Oeste, venceu de virada, o Cometa de Itapiranga

Em seu farto elenco, jogadores como Patrício por exemplo, ex-lateral do Grêmio na Batalha dos Aflitos (2005) e finalista da Libertadores da América, em 2007.

Patricio
Primeiro Jogo, em Tangará

No jogo de ida em Tangará, no Campo do Clube do Carlinhos, jogo morno de poucas chances e com naturalidade, vitória do Olaria por 1 a 0. Resultado suficiente para ampliar a descrença numa possível classificação. O que era difícil, se tornará impossível para muitos, fato que fez com que alguns tripulantes desembarcassem do navio.

Jogo da volta, em Xanxerê

A segunda partida no domingo seguinte na casa do adversário era só pra cumprir tabela, mero protocolo, e como eu já disse alguns tinham desertado, aliados a outros que não puderão ir por compromissos particulares, o time comandado pelo técnico Waldemor Slongo viajou com apenas 12 jogadores, entre eles 2 goleiros.

Chegando ao estádio do Olaria, sim eu disse estádio, Xanxerê tem um bom estádio municipal que já serviu inclusive por várias vezes de casa da Chapecoense, mas o Olaria é um dos grandes do amador e tem seu estádio particular, com arquibancadas e boa infraestrutura para o amadorismo. A tarde era chuvosa e o torcedor local compareceu em bom número, embora estivesse longe de estar lotado, afinal a equipe jogava em casa, tinha ganhado fora, era atual campeão estadual, tinha Patricio, a confiança estava lá no alto.

O jogo começa, e o Olaria deixa Patricio no banco, para que desgastar seu craque em um jogo jogado? Tangará resiste bem aos primeiros minutos, o Olaria imagina que irá ganhar o jogo quando quiser. Então vem a surpresa, perto da metade do primeiro tempo o visitante abre o placar (Elvis, senão me falha memória). Era nítido o sentimento de que havia sido mero acaso, já já o Olaria empataria e viraria, mas o primeiro tempo acabou assim: 1 a 0 para Tangará.

Começa a etapa complementar e o time de Tangará começa a assustar, cria boas oportunidades, desperdiça algumas, o torcedor local começa ficar apreensivo, o time da casa não entende o que esta acontecendo, até que, bola na rede, Tangará 2 a 0, (Galego, corrijam-me se estiver enganado).

Atacante Galego, marcou um dos gols de Tangará na partida

Como pode aquele mesmo time que havia sido vencido a uma semana, que tinha uma das piores campanhas, formado por atletas da casa, desconhecidos na grande maioria e sem reservas, aliás, perdoem-me tinha sim; um reserva; um goleiro. Como que este time estava eliminando o atual campeão catarinense de futebol amador?

Vem Patricio do banco, mexe em mais algumas peças, o Olaria precisa de pelo menos um gol para levar para os pênaltis, algo inimaginável antes da bola rolar. A equipe da casa pressiona e consegue descontar, ufa; alívio parcial no torcedor. Agora é hora de empatar e ainda que sem entender bem, avançar a fase seguinte.

O jogo fica franco, o Olaria quer mostrar que com ele não se brinca, mas o adversário não se assusta e encara, toma pressão e mete pressão também, já passam dos 30 minutos do segundo tempo, e Tangará tem uma falta. Não era tão próxima, mas dava para bater direto, porém era no corredor direito de ataque, o melhor sem dúvida era cruzar. Foi o que todos imaginaram, menos um, Daniel o batedor, ele meteu em curva no canto esquerdo baixo do goleiro que se esticou todo e ainda tocou nela, 3 a 1, poderia ser o gol da classificação.

Daniel (azul), capitão da equipe marcou o terceiro gol de Tangará na partida, em cobrança de falta

Faltam menos de 10 minutos, agora é suportar a pressão e construir mais um capítulo épico na história do futebol tangaraense. Campo molhado devido a chuva, adversário forte, doação extrema, as câimbras eram inevitáveis, exausto um dos jogadores de Tangará não suportou a batalha já quase no fim. No banco apenas o goleiro reserva, põe camisa de linha e vai pro jogo, agora era coração no bico da chuteira.

A incredulidade toma conta do estádio, o árbitro acrescenta longos minutos, além do necessário, o visitante se defende como um leão, a vaga esta próxima. Mas o futebol as vezes é “madrasto” como diz Milson Oltramari, perto dos 50 minutos (não sei por que tanto acréscimo), jogada pela esquerda, a bola sai pelo menos uns 20 centímetros, a arbitragem não marca e o Olaria desconta, placar final 3 a 2, e nada decidido.

  • Possível formação de Tangará na partida: Ido, Alison, Ita Ceron, Bastião, Daniel, Jefinho, Elvis, Alexandre Cruz, Léo Menoncin, Leandro e Galego. Suplente: Acasio
  • O caçadorense Jonas Estevão da Silva foi o árbitro da partida, e Jeferson Maciel, o auxiliar, envolvido no lance, que causou revolta na equipe tangaraense.

Decisão da vaga, nos pênaltis

Era hora dos pênaltis, e foram longos e emocionantes, Tangará teve duas ou três oportunidades (a bola da vaga, acertando a trave em algumas vezes), todos os jogadores de linha bateram, apenas os goleiros ficaram de fora, 10 pênaltis para cada, e ao final, Olaria vencia por 6 a 5. Daniel (autor do 3º gol) foi quem desperdiçou a última cobrança tangaraense.

Para mim, Marciel Tascheck, esta foi sem dúvida uma das partidas mais marcantes que tive o prazer de contar, e que mostrou mais uma vez que no futebol, nada é definitivo ou definido antes da bola rolar. Eu vivi aquele jogo intensamente como cada um dos que estava no gramado, torci como cada um dos torcedores que me ouviam pela Rádio Tangará, e sofri como cada um que sofreu com a derrota, sem deixar de ser feliz por reconhecer a valentia daqueles estiveram no campo, honrando a história do futebol tangaraense.

  • A Rádio Tangará transmitiu esta partida, com narração de Marciel Tascheck, reportagem de Claiton Bohnenberger e plantão esportivo de Helinton Paiva.

 

  • Tangará participou por três anos consecutivos do Estadual de Amadores. Em 2011, foi eliminado na primeira fase. Em 2012, classificou-se e foi eliminado na fase de Oitavas de Final. E em 2013, novamente caiu nas Oitavas, desta vez para Palmitos.
Associação Atlética Tangaraense, em 2010

Colaboração: Gillian OIivo

Fotos: Arquivos

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