Rato: talento com as mãos e pés

O pinheiropretense Cláudio Paulino da Costa é uma lenda viva do esporte

Cláudio Paulino da Costa, o Rato, nasceu em 22 de fevereiro de 1949, em Tangará, portanto completou neste ano 70 anos de idade, muitos destes dedicados a uma de suas grandes paixões: o esporte.

Rato, como é carinhosamente conhecido foi um grande atleta, tanto no futebol de campo e salão como também no Bolão 23, onde teve suas principais conquistas.

No futebol de campo regional atuou pelas equipes do Esporte Clube Guarany (Pinheiro Preto), Misto (Videira) e também pelo Ipiranga de São Marcos (Tangará), onde demonstrou muito talento e precisão com a perna canhota.

Teve passagens também pelo futebol paulista; em Campinas ano de 1967, onde atuou pelo time do Bairro Souza e também chegou a fazer testes no Guarani. Em Cuiabá, no Mato Grosso, atuou pelo Mixto. Recebeu algumas ‘propostas’ para fazer fica em período de adaptação e experiência em clubes profissionais, porém conforme sempre comenta, a vida regrada de alimentação, treinos e horários de um jogador profissional, nunca atraíram o então, jovem promissor.

Optou então por conciliar seu trabalho junto a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) e a Nativa Eletricidade. sem nunca deixar de lado  – nos momentos vagos, é claro – da prática esportiva. Ainda quando residia em São Paulo, teve a oportunidade de assistir de perto grandes ícones do futebol brasileiro e mundial, como por exemplo Ademir da Guia e Pelé, que atuavam pelo Palmeiras e Santos.

Carteirinha de atleta do EC Guarany, ano de 1972.

Atuando pelo Guarany – primeira grande equipe do futebol de Pinheiro Preto – fez importantes partidas. Na mais emblemática delas, marcou dois gols na vitória diante do Apucarana do estado do Paraná. Participou também da conquista de inúmeros torneios de futebol. Cabe salientar, que na época dificilmente tinham campeonatos, a maioria das disputas eram torneios, que aconteciam aos domingos e reunia atletas, familiares e torcedores, ao redor de um campo de futebol.

Guarany x Apucarana/PR: Rato marcou dois gols.
EC Guarany no antigo campo da comunidade de Linha Caxias, onde hoje inclusive está situada a residência do Rato.

Pelo Ipiranga de São Marcos participou do amistoso entre a equipe tangaraense e o Joinville Esporte Clube, que aconteceu no Estádio Municipal Júlio Fuganti, em 31 de outubro de 1976.

Rato, o terceiro de azul agachado, da direita para a esquerda.

A partida ficou marcada por ter recebido um dos maiores públicos da história do estádio naquele domingo chuvoso; e também por ter sido a maior goleada aplicada pelo JEC em toda a sua história (11 a 1). Os gols do JEC foram marcados por Rinaldo (quatro vezes), Fontan (quatro vezes) e Chico Santana (três vezes). O JEC atuou com: Renato (Wilfrit); Paulinho Teta (Djalma), Alberto (Pompeu), Ditão e Alcir (Waldir); Piava, Fontan e Linha; Ratinho (Chico Samara), Rinaldo e Veiga (Paulo Garça). Técnico: Alcino Simas.

No final de semana seguinte o JEC conquistaria seu primeiro título estadual e iniciaria uma série fantástica de conquistas.

 

Rato com a taça de campeão, quando atuou pelo Misto do professor Adelmo Albiero, em Videira.

Artilheiro em Torneio de Futebol, em Iomerê

Ainda no futebol de campo, um torneio de grande destaque e atuação aconteceu em Iomerê, quando Rato foi o artilheiro do certame com 22 gols, sendo 19 deles, em cobranças de falta. Segundo relatos, tinha um verdadeiro “pombo sem asas” em sua perna canhota.

Rato decidindo clássico; Misto x Dresch, em Videira

Outro relato por muitos comentado, foi o histórico e emblemático gol da vitória no clássico municipal videirense entre Dresch e Misto, na década de 70. A partida estava empatada em 1 a 1, até o 43 minutos do segundo tempo, resultado que garantia o título ao Dresch. O narrador da época J. Leite já entoava: “O Dresch é campeão municipal de Videira”. Porém como diz o ditado, o jogo só acaba quando termina.

Lateral para o Misto; Bressan cobrou rápido na ponta esquerda, Rato saiu em disparada para marcar o gol da vitória e também o gol que deixou o título em aberto. Segundo preconizava o regulamento da época, com a vitória o Misto enfrentaria o Flamengo, em uma partida extra para definir quem enfrentaria o Dresch na final. O Misto venceu por 3 a 0, gols de João Kenobal e voltou a enfrentar o Dresch, na decisão do título. Na grande final, o Misto venceu por 3 a 1 e ficou com o título.

No futebol de salão atuou pelo Torino de Tangará e inclusive conquistou um título municipal em uma equipe que contou com parceria entre a Celesc e a Polícia Militar. Em Pinheiro Preto, atuou em equipe de veteranos e também participou de alguns campeonatos municipais. A melhor participação foi um 3º lugar.

Rato, campeão municipal de futsal, em Tangará

Talento e multicampeão com as mãos

Suas maiores e mais importantes conquistas não vieram com os pés e sim com as mãos: através do Bolão 23, onde foi bicampeão dos Jogos Abertos de Santa Catarina, Bicampeão Estadual da FCBB, Campeão da Taça de Clubes e Campeão Brasileiro de Seleções. Todas estas conquistas, atuando pelo Clube Armada de Rio do Sul.

Rato recebendo a coroa de Rei do Bolão do Clube Floresta, em Videira

PRINCIPAIS CONQUISTAS NO BOLÃO 23

Campeão Jogos Abertos de SC 1993, em Tubarão
Vice Campeão Jogos Abertos de SC 1994, em Florianópolis
Campeão Jogos Abertos de SC 1995, em Rio do Sul
Campeão Estadual FCBB 1993, em Blumenau
Vice Campeão Estadual FCBB 1994, em São Bento do Sul
Campeão Estadual FCBB 1995, em Joinville
Vice campeão Estadual da FCBB 1996, em Lages (atuando pelo Clube Floresta de Videira)
Vice campeão Jogos Abertos Brasileiros 1993, em Chapecó
Campeão Taça de Clubes 1993, em Rondonópolis (MT)
Campeão Brasileiro de Seleções 1993
Vice campeão Brasileiro de Seleções 1995, em São Leopoldo (RS)
Rato na inauguração da cancha de Bocha, em Pinheiro Preto

Agora aposentado, Rato ainda continua gostando de esporte. Seu time do coração é o Palmeiras. Quiser encontrá-lo para um bate-papo, acompanhado de whisky e cigarro, provavelmente você o encontre no Bar do Tuti, onde atualmente demonstra também seu talento com o baralho (risos).

Fotos: Arquivos pessoais, internet e Adelmo Albiero

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