Alvorada: A equipe da união

O Esporte Clube Alvorada ficou marcado pela união, já que a maioria dos jogadores era do próprio bairro

Por: Pardal

PIONEIROS DA BOLA 

O texto traz a história do Esporte Clube Alvorada, equipe que ficou marcada pela união já que a maioria dos jogadores era do próprio bairro. As lembranças deste capítulo são contadas por Carlos Fantin, o “Porquinho”, que atuou apenas nos anos finais do time, mas que viveu a história do clube desde o início, acompanhando seu pai, Ivo Fantin, um dos fundadores, já nos primeiros treinos.

Carlos Fantin

FUNDAÇÃO

 – A fundação do Esporte Clube Alvorada, que representava o bairro, aconteceu em 1960, época de domínio total da Associação Atlética Videirense. O time surgiu antes mesmo da construção da sede social do clube, que aconteceria somente alguns anos depois graças as famílias Fantin, Menegazzo, Colle e Vanz. As cores escolhidas foram o azul, bordô e branco.

INÍCIO

 – Os primeiros treinos físicos sempre acompanhados pelo pequeno Carlos (com 9 anos na época) aconteciam no Barracão da Fábrica de cadeiras de Antonio Vanz e na Fábrica de Carrocerias da Família Menegazzo já que a equipe não tinha local para treinamento.

Os problemas do início eram muitos, principalmente pelas dificuldades financeiras, mas a primeira formação ficou marcada na história com: Vilmar Tavares, Tesourinha, Manco, Nelson Oliana, Jacaré, Chico Lavratti e Nego Delis. Ide Loiola, Chanca, Ita, Curuquinha, Ivo Fantin e Ceno Bondan.

1ª formação – 1960

UNIÃO

 – Carlos Fantin nasceu no próprio bairro em 1951 e morou toda a sua vida ali. Esta era uma das principais características do time, que tinha em sua maioria moradores do Alvorada, com isso a união da equipe era um dos pontos fortes, além do comprometimento de todo o bairro. Nos anos que se passaram os encontros no clube e nos jogos eram marcados por uma presença enorme de pessoas, fortalecendo ainda mais as relações.

Em pé: Papin, Menegazzo, Luiz Barbosa, Tito Queiroz, Jairo Bondan e Irani Gazzi. Agachados: Nestor Fernandes, Armando Bondan, Ulisses Gheller, Manco e Nelson.

CRAQUES-FAMÍLIA

 – Grandes jogadores passaram pelo Alvorada como: Cigano, que depois defenderia a Perdigão, Edgar, Jacaré, Roberto Olinger, Xanca, Tesourinha, Primo Volpato, Nego Delis, Ervi, Rino Balbinotti e Adi Marcinco.

Porém uma característica marcante é que sempre existiu mais de um representante por família como os irmãos Ceno, Mando e Jairo Bondan, Chico, Aristides e Benjamin Lavratti, Manco e Tito Queiroz, Vilmo e Zeldo Colle, Denir, Telvo e Balduino Menegazzo, além de Ivo Fantin e seu filho Carlos.

Em pé: Nego Delis, Cigano, Adi, Rino, Nelson e Picucha. Agachados: Menegazzo, Manco, Mando Bondan, Primo Volpato e

LEMBRANÇAS

 – Das viagens, relatadas por Seu Ivo, ficaram muitas histórias como a vez que o time foi jogar em Chapecó e parte do elenco viajou na Rural recém adquirida por Seu Ivo. Na volta do jogo os pneus do automóvel começaram a estourar e o time ficou na estrada. Alguns voltaram de carona com um caminhão de toras, outros ficaram no local até o dia seguinte quando foram levar pneus para terminar o caminho.

Em outra viagem, desta vez para São Bento, o automóvel que viajavam caiu de uma ponte. Sorte que não tiveram ferimentos graves, mas todo o material do time foi perdido.

Membros das famílias Colle, Menegazzo e Fantin atuaram e foram fundamentais na construção do clube.

ESTADUAL

– Nos arquivos da Federação Catarinense de Futebol consta que o Esporte Clube Alvorada disputou em duas oportunidades o estadual de futebol de campo, porém a participação do time só aconteceu mesmo em uma delas, 1964, quando o time foi eliminado ainda na fase regional. No ano seguinte, 1965, aconteceu em Videira um triangular entre o Alvorada, a Perdigão, que chegaria em quinto lugar no estadual daquele e seria campeã no ano seguinte e a Associação, até então o grande bicho-papão de títulos da cidade. Uma das vagas ficou com a Perdigão, vitoriosa no triangular e a segunda vaga ficou pro último jogo entre a Associação e Alvorada. O gol de Denir Menegazzo não só deu a vaga ao Alvorada como marcou o fim de uma era de domínio da Associação, porém, sem condições para manter o time no estadual a equipe não disputou a competição.

Em pé: Nego Delis, Roberto Olinger, Benjamim, Edgar, Jacaré e Tesourinha. Agachados: Menegazzo, Chanca, Tavares, Manquinho e Francisco Lavratti.

FIM

 – A não participação no estadual não só acabou com a Associação, mas marcou o início do declínio do futebol do Alvorada, que se manteria ativo ainda por algumas temporadas, mas já sem a força dos primeiros anos.

O futebol, que empolgou a todos na década de 60, terminou melancolicamente no início dos anos 70. O golpe de misericórdia só viria no novo milênio com a venda da sede social que fez história na cidade.

Segundo Carlos Fantin confidenciou, muitas pessoas chegam até ele e dizem que se o Seu Ivo Fantin fosse vivo o Clube Alvorada estaria em pé até hoje”.

Uma das últimas formações do Esporte Clube Alvorada.
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