Nos caminhos da Bola: Bibico

Conheça um pouco da história do lendário atleta

Confira mais uma matéria especial do Quadro “Nos Caminhos da Bola”, relatando um pouco da história de uma lenda do futebol regional.


Josemar Pacheco dos Santos, conhecido no meio esportivo como Bibico, nasceu em 29 de novembro de 1975, no Rio de Janeiro (RJ). Carioca de nascimento, mas caçadorense de coração, o volante teve passagens por inúmeros clubes, tanto no futebol profissional como amador do Rio de Janeiro e de Santa Catarina.

Bibico, em ação pelo Kindermann. Na foto aparecem também Paulinho França, e ao fundo o famoso árbitro Margarida.

O porquê do apelido Bibico?

O apelido foi dado por seu avô, ainda quando criança. O significado de Bibico, segundo o dicionário é:  cobertura da cabeça feita de pano em forma de navio que era utilizada pelos militares das forças armadas, junto com um uniforme especial.

Bibico, segundo o dicionário

 

O início

Bibico iniciou sua trajetória no futebol bem cedo, logo aos 11 anos de idade, em uma equipe de pequena expressão do Rio de Janeiro, chamada Anjapa Futebol Clube, situada no município de Itaboraí.

O atleta ficou toda sua categoria de base neste clube, até chegar ao profissional, aos 18 anos de idade. Fato que merece destaque é que Bibico, passou diretamente do juvenil para o profissional, ou seja não passou pela categoria de transição, popularmente conhecida como ‘Juniores’.

Trajetória no Futebol Profissional

A história no futebol profissional iniciou no ano de 1995, na época com 19 anos, quando disputou a 4ª divisão do Campeonato Carioca, com a equipe da Associação Desportiva Itaboraí (ADI).

Seu primeiro clube profissional

Em 1997, foi transferido para o município de São Gonçalo, onde atuou pelo Cosmos Social Clube, que também disputava a 4ª Divisão do Campeonato Carioca. Nesta equipe a primeira grande conquista da carreira, o título e o acesso confirmado para a Terceirona.

Cosmos Social Club

No primeiro semestre de 1998, Bibico começou sua trajetória pelo futebol do estado de Santa Catarina. Seu primeiro clube na região, foi o Joaçaba Atlético Clube (JAC), que naquele ano participou de uma seletiva preparatória para a 2ª Divisão do Campeonato Catarinense.

Joaçaba Atlético Clube
Joaçaba, em 1999 – Bibico, o terceiro em pé, da direita para a esquerda, no extinto Estádio Oscar Rodrigues da Nova.

 

Neste mesmo ano, porém no segundo semestre, Bibico, foi convidado por Salézio Kindermann para jogar pelo Associação Desportiva Kindermann de Caçador. Prontamente aceitou o novo desafio e acabou disputando a segunda divisão do Catarinense daquele ano.

Com sua calma, liderança, bom cabeceio e excelente posicionamento em campo, Bibico foi um dos destaques na campanha do Kindermann.

Nos anos 1999, 2000 e 2001 jogou a Série A do Catarinense, pela equipe caçadorense, e quem saiba foi sua melhor fase no futebol profissional.

Bibico, na Caçadorense enfrentou os grandes do estado: Figueirense, Avaí, Joinville, Criciúma, Chapecoense…

Ainda em meados dos anos 2000, Bibico teve uma rápida passagem pela equipe do Caxias Futebol Clube da cidade de Joinville, que disputou a 2ª Divisão do Catarinense.

      

Caxias de Joinville. Lá atuou junto com Donizete (hoje em Fraiburgo)

Bibico comentou ao La Pelota: “Sem sombra de dúvidas, são muitas histórias no mundo do futebol. Poderia relatar algumas delas – títulos, viagens, concentrações, treinamentos, mas isso tomaria muito tempo. São lembranças que levo na minha memória e repasso as lições e ensinamentos a meus familiares e amigos.”

Episódio marcante na carreira

Segundo relatos do próprio jogador, um jogo muito importante e marcante, que poderia ter mudado sua história no futebol profissional, aconteceu na Ressacada, em Florianópolis, no ano de 2000 (07/05/2000), onde Avaí e Kindermann se enfrentaram. Naquele ano, o atleta fazia uma grande temporada e já há alguns jogos, aparecia na ‘Seleção da Rodada’, comprovando ser um dos destaques da competição.

Neste jogo citado acima, a equipe caçadorense estava perdendo por 2 a 1, foi quando terminou o primeiro tempo, e os atletas foram se dirigindo para os vestiários, porém na saída de campo, vários repórteres chegaram até Bibico e o encheram de perguntas (Da onde era?, idade, quanto tempo que estava no Kindermann?, entre tantas outras). O intervalo de jogo, como todos sabem é de 15 minutos, o qual os atletas usam para se reidratar e ouvir as orientações da comissão técnica, porém naquele jogo, Bibico passou a maior parte do tempo dando entrevistas.

Bibico, atuando pelo FEC de Fraiburgo.

 

Ao fim da partida, mesmo o Kindermann perdendo por 3 a 1, Bibico acabou sendo eleito o ‘Melhor Jogador’ em campo, isso mostrou o seu potencial e despertou o interesse de clubes catarinenses, no atleta que atuava na época, como segundo volante.

O treinador do Avaí era o Cuca (que mais tarde viria a se fixar como um dos grandes treinadores de futebol do Brasil) e ele queria que Bibico fizesse parte do plantel do Avaí para a disputa da Série B do Brasileirão no segundo semestre. A diretoria do Avaí manteve contato com o seu Salézio Kindermann e o empresário de Bibico. As conversas seguiam e os rumores eram bons, até que dois jogos depois, uma derrota inesperada do Avaí, em Chapecó, para a Chapecoense (uma goleada diga-se de passagem), fez com que o técnico Cuca pedisse a demissão do clube avaiano naquele mesmo jogo e sepultasse também a transferência da jovem promessa.

Bibico atuou no futebol profissional até dezembro de 2002, quando tinha 27 anos de idade. Seu último clube no profissional foi o Kindermann de Caçador.

Bibico jogou com o lateral direito Patricio no Kindermann (que depois marcou época no Grêmio).

 

Nestes aproximadamente 10 anos de futebol profissional, Bibico percorreu vários estados do Brasil, alguns como profissional, outros fazendo testes. Entre eles pode-se destacar: Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, entre outros.

Futebol Amador

Em 2003, Bibico iniciou sua trajetória vitoriosa no futebol amador, onde defendeu inúmeras equipes do estado de Santa Catarina e colecionou vários títulos.

Confira alguns times e principais títulos conquistados no futebol amador:

  • Itagiba de Faxinal dos Guedes (2003)
  • Olaria de Xanxerê – (2004 a 2008) – Campeão Sul Brasileiro de Futebol Amador, em 2006
  • Pinheiros F.C de Campos Novos – Campeão Regional de Futebol Amador da LEOC e Taça AMPLASC
  • Juventude de Lindóia do Sul (2010) – Estadual de Amador
  • Coopercampos de Campos Novos – Regional de Futebol Amador da LEOC e Estadual de Amadores
  • União de Herval D’Oeste – Campeão Super Copa Rádio Catarinense, em 2011
  • Frei Bruno de Joaçaba – Campeão Super Copa Rádio Catarinense, em 2013
  • EC São Luiz de Rio das Antas – Campeão da 1ª Copa Regional dos Campeões – Rádio Vitória, 2010, vice campeão em 2011, Campeão da Copa Vagner Pilatti
  • Fraiburgo Esporte Clube (FEC) – Estadual de Amadores – Fase Oeste
  • Santelmo de Caçador
  • Adami de Caçador
  • Tedesco de Caçador
  • Napoli de Caçador
  • Campeão Estadual dos Jogos SESI, pela Adami (empresa)
  • Vice Campeão Sul Brasileiro dos Jogos do SESI
  • Ipiranga FC Sede Etelvina (Master e Quarentinha)
Pelo Olaria, em 2006, Bibico foi campeão Sul Brasileiro de Futebol Amador.

La Pelota – Já saiu escoltado de campo?

Bibico: Sim, tanto no profissional como no amador. No profissional, dois episódios ficaram marcados. Um no confronto entre Brusque e Kindermann, em que aconteceu uma pancadaria generalizada, que inclusive deu repercussão até no Jornal Nacional. A delegação do Kindermann teve que sair escoltada por policiais, da cidade de Brusque.

O outro episódio foi quando defendia o JAC de Joaçaba. Jogando em Blumenau, tivemos que sair escoltados. Aí quando o Blumenau veio jogar em Joaçaba, no jogo de volta, o fato se repetiu para o lado deles (risos). São fatos inusitados, que infelizmente aconteceram nas duas equipes que eu defendia, uma pelo Kindermann,em Brusque e outra pelo Joaçaba, em Blumenau.

E no amador?

No amador, aconteceu em Campos Novos, no Estádio Pinheirão, onde tive que sair escoltado, registrar boletim de ocorrência, afinal meu carro foi danificado com pedradas e chutes. Tudo isso, porque no ano anterior, eu tinha jogado pela equipe do Pinheiros e depois de um ou dois anos fui jogar contra, e a equipe e torcida local, ficou muito magoada e tive essa agressão. Mas mais tarde voltei a atuar pela equipe e restabeleci as pazes com a torcida e com a diretoria. Tudo não passou apenas de um mal entendido.

Bibico, comemora gol, marcado na 6ª Copa Regional dos Campeões, organizada pela Rádio Vitória.

La Pelota: Já saiu no braço com algum adversário?

Bibico: Sim, com Willian Carioca. Ambos fomos expulsos. Saímos de campo, se abraçamos (risos). Ele atuava no Atlético Alto Vale de Rio do Sul e eu no Kindermann. 

La Pelota: Já recebeu proposta de mala preta? Ou seja, para entregar um jogo?

Bibico: Recebi. Mas disse, que não ia. Se for para entrar em campo e entregar jogo, tô fora. Recebi também proposta de mala branca (para ganhar um jogo).

La Pelota: Já ouviu de um árbitro, hoje vocês não ganham de jeito nenhum, deixando claro que foi subornado? 

Bibico: Não

La Pelota: Quais o seus títulos mais importantes?

Bibico: Todas as conquistas tem um sabor especial. Mas sem dúvidas, no amador o título de Campeão Sul Brasileiro de Futebol, com o Esporte Clube Olaria de Xanxerê, em 2006. Este título poucos tem e quem tem, precisa valorizar. Já no profissional, o título da 4ª divisão do Futebol Carioca, com o Cosmos Social Clube.

Sul Brasileiro de Futebol de 2006, foi disputado nos dias 24, 25 e 26 de novembro, em Xanxerê

La Pelota: Uma resenha desta conquista?

Bibico: No Sul Brasileiro de Futebol de 2006, com o Olaria de Xanxerê, comentei com meu parceiro Leandro Bagattini, centroavante da equipe, que reside, em Xanxerê, que precisaria sair para dar uma distraída, afinal estava na tensão e maratona dos jogos. Era um atrás do outro. Adversários fortes dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Combinamos então, de sair para um jantar na casa dele e voltaríamos para a concentração. No caminho para a casa do Bagattini, perguntei: “Mas será que na sua casa tem uma cervejinha”. Ele respondeu, que não, mas que íamos parar em num barzinho e combinamos de tomar duas garrafas: uma cada. Perguntei: Ninguém vai ver? Ele disse: Não, não, é sossegado.

Quando abrimos a primeira, chegou o repórter de campo que cobria nossa equipe e bateu nas costas do Leandro Bagattini. Ele nos disse assim: “Que vocês estão fazendo aí? Já vou dizer uma coisa pra vocês. Se nós ganhar amanhã, acoberto o caso, se não, vou largar no rádio, vocês estão ferrados comigo”. Aquela cerveja desceu quadrada, parecia um tiro. No outro dia, tivemos que jogar muito. Mas felizmente, o título veio, e inclusive o repórter veio comemorar com nós.

Tranquilidade em campo, sempre foi uma característica marcante de Bibico

Família

Atualmente com 45 anos, Bibico reside em Caçador e ainda continua disputando campeonatos na categoria veteranos, onde coleciona inúmeros títulos na região. Bibico tem três irmãos e duas filhas Bibico é o terceiro da fila. Todos seus familiares, residem no Rio de Janeiro.

Bibico finalizou dizendo: “O grande legado que levo do futebol é os amigos que fiz. Aonde quer que eu chegue, tenho amigos que fiz neste mundão da bola”.

Mais fotos no facebook do Blog La Pelota!

Matéria: Gillian Olivo – La Pelota

Fotos: Arquivo Pessoal Bibico

VEJA TAMBÉM
COMENTÁRIOS
Carregando