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Bazolla, nos caminhos da bola…

Do mundo…pra Fraiburgo…

Se falar Adriano Franco de Camargo, poucos irão conhecer, mas se citarmos seu apelido “Adriano Bazolla”, aí sim, muitos conhecem, já ouviram falar, jogaram juntos ou como adversários; deste simpático moço, natural de Tijucas, que veio a Fraiburgo, em virtude do futebol (tempos do CAF), e por aqui fixou sua residência e formou sua família.

Adriano Bazolla, atualmente com 42 anos, é professor das escolinhas de futebol da Fundação Municipal de Esportes de Fraiburgo e ainda continua batendo sua bolinha pelos campos da região.

Bazolla, em ação pelo FEC, no Estadual de Amadores de 2016. Maestria, no meio campo!

Clubes que defendeu durante a carreira profissional

Bazolla iniciou sua carreira nas categorias de base do Marcílio Dias de Itajaí, no ano de 1992. Após isso, um procurador que também foi jogador, conhecido como Lotti, lateral esquerdo, que chegou a jogar no Santa Cruz onde foi tricampeão e disputou o Brasileirão; encaminhou o atleta para o futebol rondoniense (Sociedade Esportiva Ariquemes), onde foi bicampeão estadual da primeira divisão, em 1993 e 1994; que inclusive deu direito ao clube, a uma postagem na famosa Revista Placar.

  • Lotti ja é falecido.

Campeão Rondoniano, em 1993, com apenas 17 anos. Em 94, veio o bi.

  • Bazolla chegou a disputar o Brasileirão da Série C, pelo Ariquemes. Na época (1993), a primeira fase do Brasileiro era regionalizado.

Depois dessa passagem pelo futebol rondoniano, o empresário Irineu Machado (o mesmo do Donizete) comprou o passe do procurador, e seguiu gerenciando a carreira de Bazolla. Muitas vezes, o próprio empresário, acabou emperrando algumas negociações, que talvez dariam mais visibilidade ao atleta.

O atleta teve passagens pelo Joinville (JEC de 1995 a 1997). Defendeu também o Esportivo de Bento Gonçalves e Glória de Vacaria (ambos do Rio Grande do Sul), Toledo Futebol Clube (do Paraná), Tupã FC (interior de São Paulo, 3ª divisão), Tiradentes FC (Tijucas), CAF (Fraiburgo, em 1999, 2000, 2003 e 2004), Atlético Alto Vale (Rio do Sul) e Itajaí FC.

Joinville (JEC), em 1995. O primeiro agachado da esquerda para a direita.

As boas atuações de Bazolla, chamaram a atenção do então técnico, Dé Aranha do JEC (Joinville), que iria testá-lo no time principal, em 1995, mas Dé deixou o time, e o técnico seguinte Abel Ribeiro, preferiu dar oportunidade para outros jogadores. Melhor para Bazolla, que no primeiro semestre de 1996, se transferiu para o Esportivo de Bento Gonçalves, onde se destacou no dificílimo Gauchão.

  • No Esportivo de Bento Gonçalves fez nove gols, em dezesseis jogos, além de duas assistências. Chegou a jogar contra a dupla Grenal. O Juventude demonstrou interesse em adquirir o passe do atleta, mas mais uma vez o empresário travou a negociação, pedindo altos valores.
  • Bazolla veio para Fraiburgo em 1999, após indicação do técnico Rafaele Granitti, juntamente com o empresário.

Recorte de jornal da época, citando as qualidades e características do promissor atleta.

Reportagem Diário Catarinense

Clubes amadores em que atuou

Renascença FC (Tijucas), Olaria (Xanxerê), Pinheiros FC e Coopercampos (Campos Novos), Frei Bruno (Joaçaba), Flor da Serra (Herval D’Oeste), FEC (Fraiburgo), Pinheirinho FC (Pinheiro Preto), entre outros.

Principais títulos

  • Bicampeão Rondoniano, em 1993 e 1994 (Ariquemes);
  • Campeão Estadual com o Joinville, JEC, em 1995 (integrado ao elenco principal em algumas partidas); e vice campeão juniores pelo JEC, em 1996;
  • Vice campeão da segunda divisão pelo Itajaí F.C, em 1999;
  • Campeão da Taça Galego, pelo Glória de Vacaria, em 1998;
  • Campeão Regional de Futebol da LEOC, pelo Pinheiros de Campos Novos;
  • Campeão da 3ª Copa Regional dos Campeões, em 2013;
  • Inúmeros títulos municipais de futebol de campo e futsal, em Fraiburgo.

Bazolla, no Glória de Vacaria (RS) – 1998

Bicampeão em Rondônia (94), pelo Ariquemes

Vice campeão estadual da 2ª Divisão de SC, em 1999, com o Itajaí. O título naquele ano ficou com o Marcilio Dias. Gelson (que jogou no Grêmio), Altair (ex- capitão do Avaí), Alcinei (jogou no Joinville), Celso, eram alguns dos atletas da qualificada equipe.

  • Curiosidade do Itajaí FC em 1999, é que naquele ano subia apenas uma equipe para a primeira divisão. O presidente do clube que era dono de uma rede de Supermercados, prometeu que se a conquista e consequentemente a vaga viesse daria um carro para cada atleta. Infelizmente o título ficou com o Marcílio Dias, que venceu a final pelo placar de 4 a 3. O título e o automóvel não vieram! A arbitragem desta partida do Sr. Luiz Orlando de Souza, segundo o próprio Bazolla, foi muito polêmica (expulsou jogadores do Itajaí, anulou gol, deu pênalti pro Marcílio Dias). Detalhe: Marcílio Dias era o time do coração do falecido presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto Filho.

O por quê do apelido Adriano Bazolla, ou Bazolinha?

Existia um jogador chamado Mazolla de nacionalidade itálo-brasileiro (atacante campeão mundial com a seleção brasileira em 1958; mais tarde comentarista esportivo na TV italiana).

O avô de Adriano, recebeu também o mesmo apelido na cidade de Tijucas, em Santa Catarina, sua cidade natal, porque ele possuía características semelhantes ao ‘Mazolla famoso’. Entre meio este período Adriano, começou a jogar futebol, e os antigos da cidade, começaram a chamar Adriano, de “Mazollinha”, também porque tinha as mesmas características de seu avô.

Para não ficar “Mazolla”, igual ao original, o pessoal optou em trocar o “M“, pelo “B”, e ai ficou: Adriano Bazolla, ou Bazollinha. Mais tarde foi também chamado de Adrianinho, em alguns clubes.

Adriano Bazolla (camisa branca, número 8), marcando um gol pelo CAF, no Estádio Macieirão, em Fraiburgo.

  • Bazolla atuou no CAF de Fraiburgo, em 1999, 2000 e 2004.

Fraiburgo venceu a Chapecoense de virada, no Macieirão, com um gol de Bazolla. Ele marcou também, mais um gol na Chapecoense, quando defendia o Tiradentes de Tijucas.

Douglas, Leandro e Bazolla, quando defendiam o Tupã de SP. Douglas na época foi considerado o zagueiro mais alto do Brasil e mais tarde chegou a atuar no Palmeiras.

Clique aqui e confira um pouco da história do CAF!

Posições em que atuou

Bazolla iniciou sua carreira no futebol, como atacante (antigamente chamado de ponteiro direito), depois recuou para o setor de meio campo. No CAF, em 2004, chegou a atuar algumas partidas como lateral direito.

No início de sua carreira, se caracterizou por ser um ponta de lança, de dribles vistosos e por ser bom finalizador.

Bazolla, foi capitão da equipe da Linha Baldissera, em 2013, na conquista do título da 3ª Copa Regional dos Campeões.

Bazolla, a bola, e as redes do Macieirão: um casamento perfeito!

Anunciado como reforço do Criciúma: mas não saiu do papel

  • CAF 2 x 0 Criciúma, em Fraiburgo: Nesta partida do ano de 1999, no Estádio Macieirão, em Fraiburgo, Adriano Bazolla sofreu um pênalti, convertido por Sandro Ventura. E deu o cruzamento para o segundo gol do centroavante Marco Milhão, de cabeça.
  • Em virtude da grande atuação, considerado o melhor em campo nesta partida citada, em 2000, o Criciúma tentou a contratação do atleta. O curioso desta história, que a oficialização da contratação saiu até em jornal da época (A Notícia), porém não houve acerto entre o empresário de Bazolla e o Criciúma, e Adriano acabou ficando em Fraiburgo mesmo. O empresário acabou travando a negociação, pedindo um alto valor pelo empréstimo do atleta.
  • Bazolla confidenciou ao Blog La Pelota, que já havia acertado inclusive a base salarial com o Tigre, e que até hoje lamenta não ter ido atuar por lá.

Recorte de jornal, que inclusive chegou a anunciar a contratação de Bazolla pelo Criciúma. 

Bazolla, ao fundo quando defendia o Tiradentes, em partida diante do Figueirense, que acabou em empate (1 a 1).

Atuação de destaque contra o Atlético Chapecó

Adriano Bazolla entrou na partida, quando o CAF perdia por 3 a 0, e fez a jogada dos três gols do Fraiburgo; e quase marcou o da virada (bola caprichosamente bateu na trave). O Doutor Jorge Iura, presidente do CAF da época, elegeu Adriano, como o ‘Melhor em Campo’.

UM BATE PAPO COM BAZOLLA

Blog La Pelota: Quais os jogadores famosos que você jogou durante a sua carreira?

Bazolla: Dauri (jogou Grêmio, Botafogo (SP), JEC e Criciúma), Piá, lateral esquerdo do Flamengo em 90/91, que atuou comigo no Esportivo de Bento Gonçalves, em 1996, Carlão, goleiro que foi campeão brasileiro pelo Botafogo, Gelson, que jogou no Grêmio, Luizinho, lateral direito que jogou no São Paulo, goleiro César Silva, que atuou pelo Internacional e Avaí (onde chegou a ser capitão e cobrador de pênaltis); foi campeão Brasileiro da Série C, Dago, que jogou comigo em Rondônia e no CAF (era do Fluminense do RJ),  Itá (jogou na Chapecoense e Criciúma), entre outros.

Blog La Pelota: Na sua opinião, qual o ano de maior destaque e melhores atuações?

Bazolla: Tive vários momentos bons no futebol. Mas um ano marcante, foi em 1997, interior de São Paulo, quando defendia a equipe do Tupã, 3ª divisão do Paulista, onde eu era uma peça importante da equipe. Recordo de sair na cidade, dar autógrafos na avenida. Eu e meu companheiro de time, Ricardinho, nós tivemos um momento muito legal lá. Cheguei a receber propostas do Ituano, do Mirassol, União São João de Aráras. O Ricardinho mais tarde, foi para a Coréia.

Blog La Pelota: Um lance, ou gol que lembra?

Bazolla: Marquei, modéstia a parte, um lindo gol contra o Marília, de fora da área, quando defendia o Tupã, interior de São Paulo. Outro gol bonito que eu fiz, foi com a Chapecoense, pelo Tiradentes de Tijucas, onde acabamos perdendo por 2 a 1. Fintei para o lado esquerdo e chutei com a perna canhota no ângulo. Realmente um golaço: o gol de empate; mas no fim da partida, a Chapecoense marcou o gol da vitória.

Matéria que cita o golaço feito diante do Marília

Blog La Pelota: E o gol mais importante?

Bazolla: Foi marcado em Rondônia, pelo Ariquemes, aos 45 minutos do segundo tempo, que acabou por eliminar a equipe do Ouro Preto do Campeonato Estadual.                                                          

Blog La Pelota: Um episódio, ou história marcante…

Bazolla – História 1: Em 1996, quando estava no Esportivo de Bento Gonçalves, um fato que chamou minha atenção, foi que Arílson (um jogador conhecido que jogou no Inter e Grêmio), havia sido convocado para a Seleção Brasileira, porém acabou sumindo. Eu, nunca esqueço, que veio a RBS, com o repórter Regís Rosing, ali em Bento Gonçalves, pesquisar sobre a real história. O que aconteceu: Arilson fugiu da concentração da seleção que na época era comandada pelo Zagallo, onde havia sido convocado para um amistoso preparatório para o pré olímpico. Ele fugiu e veio até Bento Gonçalves, e lá ele foi assistir um jogo: Esportivo x Juventude. Recordo que a imprensa, a Globo no caso, estava em cima dele, para descobrir porquê ele havia fugido da seleção. Mais tarde, ele chegou a treinar com a nossa equipe do Esportivo, e internamente nos bastidores, nos contou, que ele não aceitava ficar no banco, do jogador Souza, meio campista canhoto, que jogou no São Paulo. Como ele não aceitava ficar de reserva para o Souza, fugiu da seleção.

Bazolla – História 2: Em 1993, eu fui campeão em Rondônia pelo Ariquemes. Voltei para minha cidade natal, no litoral catarinense. A equipe de Rondônia disputou a Copa do Brasil, e acabaram sendo eliminados pelo Vitória da Bahia. Eu tinha proposta para ir em categorias de base do estado de Santa Catarina e até mesmo do Grêmio (empresário Jaime Schimidt), porém não se concretizaram. Acabei voltando para Rondônia, no mesmo time, o Ariquemes, cheguei novamente lá, estreei no estadual de 1994, fiz gol na vitória por 3 a 0. O Ariquemes contratou alguns reforços da região de Mato Grosso, um preparador físico chamado Celso, que trouxe alguns “parceiros” dele, para serem jogadores. Só que eu tinha tanta moral no clube, a torcida me queria tão bem, pelo que apresentei na temporada passada, que permaneci como titular na equipe. Celso, tinha um atacante, que jogava de ponteiro direito (Neizinho), onde acabou ficando no banco. Em contra partida, o preparador físico, sempre queria me sacanear, e eu na época ‘molecão’ nem percebia muito. Resumindo a história, fomos para a final, na quarta feira da semana da final contra o Ji Paraná (jogo de ida, fora de casa tinha dado empate em 1 a 1), o tal preparador físico, após um treinamento físico e me chamou para uma conversa e me disse: “Você Adriano, tá um pouco acima do peso, você está engordando. Então vamos fazer uma preparação específica para esta final ai do domingo”. Mas eu não tava é nada, eu estava tranquilo, me sentindo super bem. Nesta mesma quarta feira, o preparador físico, fez eu fazer 500 abdominais, me acompanhou como fosse personal trainer. Eu ainda com o corpo quente, acabei o treinamento e já sai com dor na região abdominal. Fui para o hotel, tomei um banho, fui sair para almoçar, não consegui sair da cama. Eu não conseguia caminhar normalmente. Tu acredita que ele conseguiu me tirar da grande final? Eu não joguei a final. Assisti o jogo do camarote, chorando de dor. E eu acho que o objetivo dele mesmo, era deixar o Neizinho sair jogando, apenas isso. E foi o que aconteceu, Neizinho jogou de titular, eu não sai na foto de campeão no poster na Revista Placar. O Neizinho jogou super bem, nada contra ele, mas ele era “bruxo do preparador físico”. Foi a primeira ‘trairagem’ com meus próprios olhos, que eu consegui ver, no mundo do futebol. Os zagueiros da equipe, meus amigos queriam inclusive bater no preparador físico. Na quinta, sexta e sábado fiz muita massagem, tomei remédios, mas infelizmente não deu de jogar a final. Infelizmente no futebol, tem muito disso aí.

Blog La Pelota: Um conselho para os mais novos…

O conselho para os atletas novos que querem ser futuros jogadores, é colocar Deus em primeiro lugar, deixar a vaidade de lado, trabalhar e dedicar 100% nos treinamentos, se alimentar bem e dormir cedo, pois o futebol é uma carreira curta e depende exclusivamente da pessoa estar focada em seus objetivos no mundo da bola.

FAMÍLIA

Bazolla é casado com Aline Golin Franco de Camargo, e desta relação tem dois filhos, Larissa (13 anos) e Davi (3 anos).

É também pai de Amanda Bosa Camargo, que é de Bento Gonçalves. Nasceu na época em que atuou por lá.

Bazolla, com seus filhos Larissa e Davi.

Conheça também a história de outra lenda do futebol de Fraiburgo: Donizete!

Texto: Gillian Olivo – Blog La Pelota

Fotos: Arquivos Pessoais de Adriano Bazolla

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